Portugal está no “onze ideal” da Euler Hermes/Cosec entre as economias europeias, surgindo como uma economia “promissora” que deverá registar uma descida de 9% nas insolvências em 2016. Para os economistas da Euler Hermes, uma empresa de seguros de crédito, essa expectativa coloca Portugal na companhia de Bélgica e Espanha, onde também deverá haver menos falências neste ano.

Este é o “onze ideal” para a Euler Hermes/Cosec, segundo o relatório publicado esta semana pela empresa de seguros de crédito, por ocasião do campeonato da Europa que se avizinha:

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Fonte: Euler Hermes

“O médio luso é um país promessa no onze inicial da equipa, na sequência de uma evolução histórica das insolvências, que há três anos consecutivos decrescem”, dizem os economistas responsáveis pelo estudo, em declarações adicionais pedidas pelo Observador. “Nove pontos percentuais são o [recuo] esperado para 2016, depois de uma descida de 4% em 2015, 33% em 2014 e 10% em 2013”, nota a Euler Hermes, com base na sua pesquisa económica.

Mas a tendência de descida nas insolvências não é o único fator que vai a jogo com a camisola portuguesa. Uma ligeira melhoria nos prazos médios de pagamento das empresas (a previsão para 2016 é de 70 dias face aos 71 registados em 2015) coloca Portugal à frente da Itália (86 dias) e de França (71 dias), mas ainda longe das economias mais competitivas da Europa: Áustria (44 dias), Holanda (47 dias) e Suíça (49 dias), por exemplo”.

Além do “meio campo promissor” composto por Portugal, Espanha e Bélgica, a equipa conta com o guarda-redes (e capitão) Alemanha, onde se espera um aumento de 110 mil milhões de euros (em 2016 e 2017) em exportações de bens e serviços. Para a empresa de seguros de crédito, essa estimativa ajuda a fazer da Alemanha um guarda-redes “forte”, capaz de liderar a economia europeia.

Na defesa – “robusta” –, quatro países onde o maior número de setores de atividade foram classificados como de “baixo risco”. Os países são a Suécia, Polónia, Itália e França. Finalmente, no ataque estão as economias mais “dinâmicas”, com as maiores taxas de crescimento económico previstas para 2016: Irlanda (4,5%), Roménia (4%) e Turquia (+3,3%).

A equipa é treinada pelo Banco Central Europeu (BCE), numa alusão aos estímulos monetários lançados pela instituição liderada por Mario Draghi — que incluem um programa de compra de dívida empresarial no mercado, o que reduz o risco e as taxas de juro desse endividamento. Além dos países no “onze ideal”, podem saltar do “banco” algumas economias “surpresa”. Na defesa, Suíça e Áustria; no meio-campo o Reino Unido; e, na dianteira, Rússia e República Checa.

Cartão amarelo a todos os países

Contudo, a Euler Hermes diz que “se a resiliência do tecido empresarial tirou Portugal do banco, 2016 trouxe consigo um cartão amarelo a todos os países”. Isto porque “a saúde da economia global vai deteriorar-se ainda mais em 2016. Como se esperava, as insolvências subiram 2% em todo o mundo. Fraco crescimento, o aumento da turbulência no setor das matérias-primas, e o efeito dominó das falências marcam o primeiro aumento desde o pico da crise financeira global em 2009″.

Os economistas dizem que “a economia está a chegar ao fim do seu ciclo de recuperação; o PIB deverá desacelerar para 2%, ou menos, este ano. A Europa Ocidental é a única região onde se espera que as insolvências diminuam – 5% em 2016 e 3% em 2017”. “No entanto, a diminuição não pode ser motivo de comemoração. O número anual de falências permanece acima dos níveis pré-crise em 11 dos 17 países europeus”, lembra a Euler Hermes/Cosec.