José Maria Ricciardi, presidente do Haitong Bank (antigo BESI), alerta que os bancos portugueses precisam de capital para se poderem reestruturar e, em alguns casos, unir. “Tem de haver menos bancos em Portugal“, diz Ricciardi em declarações ao Jornal de Negócios, e é nessa necessidade que se enquadra a possível fusão entre o BCP e o Novo Banco. Também para essa operação será preciso novo capital — e esse capital ou é injetado por acionistas privados ou pode haver um segundo resgate à banca, diz Ricciardi. “Empurrar os problemas com a barriga” é que não é, sublinha, uma boa solução.

“É preciso uma reestruturação, que passa pela consolidação bancária, com menos bancos com maior dimensão, mais eficientes. Para isso, é preciso capital. E só há duas maneiras de o trazer: ou o capital é trazido por terceiros ou há um segundo resgate para a banca”, afirmou José Maria Ricciardi, em declarações à margem de um evento promovido em Nova Iorque pela empresa gestora da bolsa portuguesa, a Euronext.

Com uma possível fusão entre o BCP e o Novo Banco no topo da atualidade económica, Ricciardi concorda que essa “é uma das soluções” para a questão do Novo Banco. Mas é certo que tem de haver mais capital para que a operação se realize. Mas não é só o BCP que precisa de mais capital, diz o responsável, mas sim toda a banca portuguesa de um modo geral. Essa é uma questão que tem de ser resolvida, porque “quando empurramos muito com a barriga, vamos lá à frente buscar situações muito mais difíceis”, afirma Ricciardi.