A Presidente brasileira com mandato suspenso, Dilma Rousseff, defendeu quinta-feira à noite um plebiscito para definir a convocação de novas eleições presidenciais, caso o Senado recuse o seu afastamento definitivo da Presidência.

“Acredito que a população seja consultada”, afirmou a chefe de Estado temporariamente afastada desde 12 de maio, durante um período de até 180 dias, para ir a julgamento no Senado.

Se dois terços dos senadores (54) votarem pelo seu afastamento definitivo, o Presidente interino, Michel Temer, assumirá permanentemente a Presidência. Caso tal não aconteça, Dilma Rousseff volta a assumir o comando do país.

Dilma Rousseff sublinhou que “só a consulta popular para lavar e enxaguar essa lambança [trabalho mal feito] que está sendo o governo Temer”.

Para a líder brasileira, o país não conseguirá superar a crise com o governo interino, e o povo não terá confiança no trabalho de Michel Temer, por o executivo liderado por ele não ter sido escrutinado.

“Como você acha que alguém vai acreditar que os contratos serão mantidos se o maior contrato do país, que são as eleições, foi rompido? Não acho possível fazer pacto nenhum com o governo Temer em exercício”, vincou.

A Presidente com mandato suspenso voltou a criticar o processo de impugnação, frisando que a Constituição exige que haja um crime para um chefe de Estado ser destituído.

“Não é possível dar um jeitinho e forçar um pouquinho e tornar esse artigo elástico e qualificar como crime aquilo que não é crime. Os presidentes que me antecederam fizeram mais decretos do que eu”, disse.

Dilma Rousseff é acusada de ter cometido “crime de responsabilidade” ao praticar manobras fiscais com a intenção de melhorar as contas públicas e assinar decretos a autorizar despesas que não estavam previstas no orçamento.