O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, considerou na quinta-feira “censurável” e “racista” as declarações do virtual candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, sobre o juiz Gonzalo Curiel, de origem mexicana.

“Este tipo de conduta é perniciosa e não tem precedentes” num candidato presidencial, disse Biden, durante um discurso em Washington.

O vice-presidente norte-americano observou que o preocupante neste caso não é apenas o racismo, mas o “potencial impacto” que pode ter sobre a independência do poder judicial.

Atendendo às acusações de Trump contra o juiz Curiel não se pode confiar que o magnata “respeite a independência judicial” caso chegue à presidência, advertiu.

Curiel, nascido no Indiana, filho de pais mexicanos, é o juiz que está a supervisionar os processos por fraude contra a extinta Universidade Trump.

Na passada sexta-feira, o juiz ordenou a publicação de mais de mil páginas de documentos judiciais sobre a universidade devido ao interesse público que pode ter o caso, aberto em 2010.

Em resposta, o magnata acusou Curiel de ter um “conflito [de interesses] absoluto” porque ser “de origem mexicana” e membro de uma associação de magistrados hispânicos.

O próprio líder republicano Paul Ryan criticou os comentários “racistas” de Trump.

Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano) e uma das mais importantes figuras do Partido Republicano norte-americano, anunciou na semana passada o seu apoio à candidatura de Trump e, apesar da crítica, afirmou que o vai continuar a apoiar.

Trump recusou voltar atrás com as declarações sobre o juiz, considerando que o magistrado não foi imparcial por causa da sua controversa proposta de construir um muro na fronteira com o México para lutar contra a imigração ilegal.