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Nada de discursos intermináveis, até porque este ano o 10 de junho será em dois tempos: de manhã, a cerimónia militar, em Lisboa; à tarde, a cerimónia oficial, em Paris, junto da comunidade portuguesa. Sete minutos foi o tempo que Marcelo Rebelo de Sousa usou para abrir o Dia de Portugal, com uma intervenção que se centrou no elogio ao “povo” português que “assume o papel determinante” quando o país é “posto à prova”. E “mesmo quando as elites nos falharam”. Neste ponto foi detalhado nas práticas das tais elites.

10h24 – O Presidente começou pelo elogio às Forças Armadas, “garantes da nossa independência e da nossa Constituição democrática e social”. Mas o dia é também das comunidades, disse logo a seguir para falar da visita que fará a Paris, também neste 10 de junho, para “dar sinal” da “gratidão” em nome da “pátria que todos os dias engrandecem, em França e por todo o Mundo”. E, claro, dia de Camões, “exemplo maior de português de sempre e para sempre”.

10h25 – Depois passou ao elogio-maior que guardara para este dia: ao “povo”, que “não vacila, não trai, não se conforma e não desiste”. “Nos momentos de crise, quando a pátria é posta à prova, é sempre o povo quem assume o papel determinante”, disse o Presidente da República.

10h26 – Seguiram-se os exemplos para justificar o que acabara de dizer: desde “a arraia-miúda” que no século XIV “valeu ao mestre de Avis”, até aos “tempos de crise” em que “foi o povo” que “soube compreender os sacrifícios e privações em nome de um futuro mais digno e mais justo”.

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10h27 – E o elogio ao povo serviu também para atirar às “elites que falharam”, sem especificar, mas com as práticas que condena bem assinaladas — sobretudo numa palavra (que Marcelo não disse): corrupção.

Foi sempre o povo a lutar por Portugal, mesmo quando as elites falharam — ou melhor as que como tal de julgaram — em troca de prebendas vantajosas de títulos pomposos, de meros ouropeís luzidios, de auto contemplações deslumbradas ou simplesmente tiveram medo de ver a realidade e de decidir com visão e sem preconceito”

10h28 – Mais elogios ao povo que “celebra”, agora como “garante do desenvolvimento económico, de justiça social, do progresso na educação, na cultura e na ciência, da reconfiguração de Portugal como país da economia europeia”. Foi aqui que falou nas condecorações (as poucas que atribui) neste dez de junho. Seis militares de manhã e oito portugueses residentes em Paris, que socorreram as vítimas na noite dos atentados do Bataclan. “Não hesitaram em dar abrigo e salvar quem fugia da destruição e da morte. Também eles são um exemplo de solidariedade e humanismo que devem ser realçados”.

10h29 – Marcelo Rebelo de Sousa ainda aproveitou o palco deste 10 de junho, o Terreiro do Paço (pela primeira vez depois do 25 de abril as comemorações foram ali), para uma leitura de simbolismos: “O nosso universalismo começou aqui e foi aqui que a nossa independência foi perdida e recuperada mais do que uma vez”. O Presidente também falou no terramoto de 1755 e da recuperação da Praça como exemplo mostrado “ao mundo de então, de que fibra somos feitos e do que somos capazes”.

10h30 – O remate final: “Hoje em 10 de junho de 2016, nesta mesma praça que é símbolo maior do nosso imaginário coletivo partimos uma vez mais rumo ao futuro, somos portugueses como sempre triunfaremos“.