As sondagens mais recentes persistem em dar vantagem a quem defende a saída do Reino Unido da União Europeia. Talvez por este motivo, o referendo que se realiza a 23 de junho está a fazer com que grandes empresas do país tomem posição. Neste sábado, foi a vez de um grupo de 17 firmas, entre as quais se incluem algumas das de maior dimensão no setor da construção e de imobiliário britânico, de dar a conhecer que estão a favor da permanência do Reino Unido entre os 28.

A Barratt Developments e a Canary Wharf Group, entre outras empresas, revelaram uma carta aberta em que consideram que um abandono da União Europeia iria cancelar projetos de investimento no setor em que atuam e aumentar os custos de construção de novos edifícios. Os líderes executivos em causa, afirmam que a concretização do Brexit também conduziria a uma subida dos custos de financiamento das empresas, mais um fator que constituiria um travão ao investimento. “O investimento vai sofrer à medida que a confiança se for desvanecendo”, pode ler-se na carta aberta, e esta situação é a “última coisa de que os construtores e promotores imobiliários precisam”.

O sentido dos inquéritos de opinião mais recentes está a causar preocupação entre as empresas e os investidores. A libra atingiu o valor mais baixo desde abril e o primeiro-ministro, David Cameron, avisou que uma eventual saída do Reino Unido da UE causará danos económicos incalculáveis ao país. Boris Johnson, ex-mayor de Londres, membro, também, do Partido Conservador, a face mais popular entre aqueles que defendem o abandono, tem argumentado que se trata de uma forma de conter a imigração, um dos temas mais sensíveis na atual campanha.

Nesta sexta-feira, foram conhecidos os resultados de uma sondagem realizada pela ORB para o jornal Independent, em que o Brexit surge com uma vantagem de dez pontos sobre os votos a favor da permanência: 55% contra 45%. Esta sondagem revela uma subida de quatro pontos do Brexit e é o score mais elevado entre todas as sondagens já conhecidas.