O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, exaltou, na vila de La Couture, no norte de França, o papel das Forças Armadas portuguesas e advertiu que “quando os poderes políticos não sabem respeitar as Forças Armadas perdem uma parte da sua legitimidade”.

Marcelo Rebelo de Sousa, que discursou junto do monumento de homenagem aos soldados portugueses que participaram na Primeira Guerra Mundial, em La Couture, a cerca de 230 quilómetros a norte de Paris, elogiou a coragem dos militares que morreram há um século e que, “sem saberem, estavam a trabalhar pela Europa das novas gerações”.

“Quando os poderes políticos não sabem respeitar as forças armadas, não sabem promover aquilo que é o seu papel histórico ao serviço de Portugal, quando isso acontece perdem uma parte da sua legitimidade”, advertiu o chefe de Estado.

Enquanto comandante supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que “é importante que o Portugal democrático, desde o início, tenha agradecido às Forças Armadas o passo essencial que foi dado pela liberdade e pela democracia” e que depois nunca tenha deixado “de reconhecer o seu papel no presente e para o futuro, dentro de todo o território nacional e em missões internacionais”.

Antes de se dirigir ao Cemitério Militar Português de Richebourg l’Avoué, o presidente considerou que a Batalha de La Lys de 09 de abril de 1918 – na qual Portugal perdeu cerca de dois mil homens – permitiu a construção das “bases de uma grande vitória portuguesa e europeia” e que os soldados “ao lutarem há 100 anos estavam a construir a Europa do Futuro”.

“Aqui viemos no quadro do Dia de Portugal para dizer que mesmo naquilo que foi aparentemente uma derrota portuguesa, nós estivemos a construir as bases de uma grande vitória portuguesa e europeia, porque foi o sacrifício destes homens que permitiu que, pouco tempo depois, desfilassem as forças vencedoras no termo de uma guerra sangrenta e que começassem um longo percurso que passaria por uma outra guerra mas que levaria à Europa de paz que hoje estamos a construir, e sem saberem estavam a trabalhar pela Europa das novas gerações”, afirmou.

Diante da escultura de pedra e de bronze de António Teixeira Lopes, inaugurada em 1928 e intitulada “O Cristo das Trincheiras”, o chefe de Estado falou ainda nos “heróis” enterrados no Cemitério Militar Português que “estão longe da pátria mas é uma distância meramente física”.

“Eles estão sempre perto da nossa memória e da alma portuguesa porque o território físico de Portugal é um e o território espiritual é outro. O território físico de Portugal é pequeno hoje, o nosso território espiritual é universal”, continuou.

O presidente discursou perante uma centena de pessoas, entre civis e antigos combatentes franceses e portugueses, com destaque para a presença de Felícia d’Assunção Pailleux, filha de um soldado português que combateu na Grande Guerra e porta-estandarte da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, que foi vivamente cumprimentada por Marcelo Rebelo de Sousa.

Depois dos discursos do Presidente e primeiro-ministro portugueses, do autarca local e da secretária de Estado para a Biodiversidade francesa, seguiu-se um minuto de silêncio, os hinos português e francês e a comitiva dirigiu-se para o cemitério, a três quilómetros de La Couture.

Naquele que é o único cemitério militar português em França, onde foram enterrados quase dois mil soldados portugueses, o Presidente e o primeiro-ministro – este de galochas calçadas – passaram o portão de ferro forjado rodeado de símbolos portugueses e encimado pela inscrição “Cemitério Militar Português” e percorreram as filas de centenas de lápides em granito com nomes de soldados, muitas já apagadas.

Lusa/fim