O Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, participa nesta terça-feira na cimeira de chefes de Estado e de Governo dos Grandes Lagos, em Luanda, a convite do homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou neste domingo a presidência sul-africana.

A África do Sul não faz parte da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), atualmente sob liderança de Angola, mas os serviços da Presidência recordam que o país é por norma convidado como “observador” para estas cimeiras, tendo em conta “longa experiência” e “envolvimento” na manutenção de paz nesta zona do continente africano.

Esta IV cimeira ordinária da CIRGL deverá analisar a evolução da situação política e militar na região, com o foco na República Democrática do Congo (RDCongo), República Centro-Africana (RCA), Sudão do Sul e no Burundi. A delegação sul-africana, liderada por Jacob Zuma, integra ainda os ministros da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, e do Interior, David Mahlobo.

O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas afirmou na sexta-feira, em Luanda, que a situação político-militar na região dos Grandes Lagos é calma, com realce para a RDCongo, com o registo de progressos no combate a grupos armados no leste do país

Geraldo Sachipengo Nunda discursava na reunião de Chefes de Estado-Maior dos Estados-membros na CIRGL, que antecede a cimeira de terça-feira, na capital angolana. “Contudo, a atual situação ainda inspira sérios cuidados e uma atenção especial do Governo da RDCongo e das Forças Armadas da RDCongo, para manter a estabilidade naquela parcela do país. Mas também vivem-se momentos de tensão, fundamentalmente na capital devido as expectativas criadas em torno do processo eleitoral”, frisou.

Relativamente à situação de segurança no Burundi, o Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas disse que é igualmente estável, apesar da persistência da ação de alguns grupos da oposição. “Estamos em crer que as instituições do Burundi estão à altura de, por si só, manterem a ordem e a tranquilidade necessária à normalização da vida no país”, considerou.

Para a RCA, aquela chefia militar angolana defendeu o reforço dos órgãos de defesa e segurança do Estado, para garantirem o controlo do país e das suas fronteiras, depois de algum período de instabilidade.

Já no Sudão do Sul, foram também registados progressos, com a decisão do Governo em aceitar a proposta sobre as modalidades para o retorno ao país do vice-presidente, Rieck Machar, “instaurando a esperança de que o acordo possa permitir a rápida formação do Governo de coligação e de unidade nacional”.

Angola preside à CIRGL desde janeiro de 2014, mandato entretanto renovado por mais dois anos, tendo as suas ações de liderança sido virada para a busca de soluções pacíficas, pela via diplomática, para os países em conflito na região.

A CIRGL é integrada por Angola, Burundi, RCA, RDCongo, República do Congo, Quénia. Uganda, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia.