Os mais sofisticados superdesportivos do mercado são propostos por valores que rondam os 4 milhões de euros. Pois bem, desta vez, um apaixonado por esta classe de veículos pagou essa mesma quantia apenas para comprar a sua matrícula preferida. Em notícia avançada pelo Gulf Today, de Sharjah, um dos sete estados que integram os Emiratos Árabes Unidos, um leilão de matrículas para veículos com algarismos causou bastante agitação entre os príncipes locais e elementos das famílias dominantes. E havia chapas para todos os gostos, da número 1 à 99.999, passando pela 10, 100, 1000, e por aí adiante.

Interessados não faltaram, com mais de 1.300 compradores a acorrer ao disputado leilão, uns à procura do seu número da sorte, outros da data de nascimento ou, pura e simplesmente, de um algarismo mais cobiçado do que o do vizinho. Todas as matrículas foram alvo de disputa. Mas umas mais do que outras.

O duelo mais esperado envolveu os direitos do algarismo 1. A casa leiloeira abriu a contenda com um valor mínimo de licitação de 1 milhão de dirhams, cerca de 240.000€. Foi precisamente aí que Arif Ahmad Al Zarouni fez uma entrada à Ronaldo, parando a bola com o peito e rematando de primeira com pé direito. Justifica-se a analogia futebolística: é que ainda a plateia tentava “digerir” o milhão de dirhams, avaliando se seria ou não um valor justo, e já Zarouni estava em campo para se certificar que resolvia o jogo no primeiro lance. Ouviu-se “18 milhões” – de dirhams, o que é qualquer coisa como 4,3 milhões de euros. A plateia gelou e não houve quem desse mais. O martelo oficializou a proeza: o Pagani de Zarouni, cujo valor de mercado anda na casa de 1 milhão de euros, antes de impostos, pode agora passar a rodar com a matrícula número 1.

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O Pagani com matrícula de 4,3 milhões de euros

O Huayra é o mais possante dos modelos produzidos pela Pagani, sendo o outro o Zonda. O fabricante italiano que é, cada vez mais, uma espinha no dorso da Ferrari, iniciou a construção de superdesportivos em 1992. Tem a suas instalações em San Cesario sul Panaro, a poucos quilómetros de Modena, e é precisamente aí, debaixo das barbas da marca do Cavallino Rampante, que a Pagani Automobile produz veículos que não perdem em nada para os Ferrari mais exuberantes, seja em estilo ou em nobreza da mecânica. Curiosamente, esta vem da Mercedes, mais especificamente da AMG, com o casamento entre o construtor artesanal transalpino e a marca germânica a ter como padrinho Juan Manuel Fangio, famoso piloto com excelentes relações com a Mercedes e com Horacio Pagani.


O motor ao serviço do Pagani Huayra de Al Zarouni é uma máquina fantástica. Com chassi e carroçaria em fibra de carbono, monta um V12 com 6,0 litros de capacidade. Mas este bloco imponente é musculado por dois turbocompressores, um por cada bancada de cilindros, o que faz a potência saltar para 750 cv e o binário para uns expressivos 1001 Nm. E logo a partir das 2250 rpm, o que se traduz numa força brutal e permanente à mínima solicitação do acelerador.

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Com apenas 1350 kg de peso, tracção traseira e caixa automática de sete velocidades, o Huayra atinge 360 km/h, com os 100 km/h a ficarem para trás ao fim de 3,0 segundos. E para arrematarmos a questão, aqui vão mais três valores associados ao modelo: anuncia um consumo em cidade de 23,5 litros, em estrada de 16,8 litros (não a 360 km/h, onde a fasquia deverá rondar os 100 litros) e emite anualmente 9500 kg de CO2 para a atmosfera. Neste particular, não bate autocarros nem camiões. Mesmo que tenha a matrícula 1.