As ações do BCP continuam sob forte pressão na bolsa de Lisboa, revelando-se pouco eficazes as garantias do presidente-executivo (Nuno Amado) de que não está em preparação um aumento de capital, que poderia ter um efeito diluitivo para as ações existentes. Os títulos do banco desceram esta terça-feira para menos de dois cêntimos – 1,93 cêntimos, um novo mínimo histórico –, caem há cinco sessões consecutivas e desceram em 16 dos últimos 18 dias.

Os “acionistas podem estar tranquilos” porque “não está a ser equacionada por nós qualquer operação relacionada com o Novo Banco que implique aumentos de capital dos nossos acionistas”, afirmou Nuno Amado no último dia 7 de junho em entrevista à Reuters. Apesar dessa garantia, e da proibição da venda a descoberto aplicada em vários dias pelo regulador do mercado (CMVM), as ações continuam vulneráveis e já perdem quase 60% do valor desde o início do ano.

BCP PL Equity (Banco Comercial P 2016-06-14 09-20-35

Além da queda dos títulos nas últimas semanas, as ações do BCP estão, também, a ser objeto de um ritmo de negociação acima da média (barra inferior), o que indica que se trata de uma empresa cotada em foco neste momento.

A pressão intensificou-se depois de o espanhol Banco Popular ter surpreendido o mercado com um aumento de capital que levou os analistas a perguntar, de imediato, quem poderia ser o próximo? O Goldman Sachs sublinhou algumas vulnerabilidades do BCP, designadamente na sua carteira de imobiliário, e juntou a essa análise os riscos associados ao Novo Banco e à banca portuguesa. Resultado: o BCP surge na análise do Goldman como um dos bancos mais vulneráveis a um aumento de capital.