Se, quando estiveres a ler este artigo, ainda não tiveres ido dormir fica, desde já, a saber que uma boa noite de sono é fundamental para que a prova te corra melhor e que já começam a ser horas de ires para a cama descansar. Se já acordaste e só agora estás a lê-lo, retém algumas dicas que ainda te podem ser úteis para o exame: toma um bom pequeno-almoço, tenta ir calmo para a prova, pensa positivo e sê eficaz na realização do teste, com a ajuda de alguns conselhos que reunimos neste artigo. Senão, ficam já para o próximo, ok?

“Os alunos, que trabalham, claro que estão ansiosos. Mas agora parou. Uma boa noite de sono é essencial. Devem relaxar, tomar um bom pequeno-almoço e ir para a escola tranquilos. E devem pensar que se estão a fazer o exame é porque tiveram notas para estar a fazê-lo. Além do mais o exame está em português e eles falam português e têm capacidades cognitivas para interpretar os textos e as questões”. A mensagem é da professora de português Alice Ribeiro, da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia.

“Respirar fundo”. É que o deves fazer mal entres na sala de aula, aconselha a psicóloga Mónica Bento. Além disso, “devem pensar que é só mais uma prova que vai aferir os conhecimentos, e devem ficar tranquilos porque estudaram. E se não correr bem há sempre uma segunda fase. A postura deve ser de serenidade”. E neste processo, os pais têm um papel importante: “Devem ter uma postura de tranquilidade também.”

E se és daqueles alunos inseguros e achas que estudar até à última, ou acordar de manhã mais cedo para rever a matéria, vai ajudar, fica a saber que de pouco ou nada adiantam essas horas de estudo e que podem até ser contraproducentes, avisam as professoras e a psicóloga ouvidas pelo Observador.

Na véspera do exame os alunos devem descansar porque aquilo que deveriam ter feito e estudado já devia ter acontecido antes”, frisa a psicóloga Mónica Bento.

Pedro Miguel Coelho teve a melhor nota, no exame nacional de português, da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, em 2015, e só estudou até à hora de almoço do dia antes da prova. “Depende muito de cada um, mas eu acho que o ideal é nem se estudar no dia anterior. Não é por mais três ou menos três horas que vamos saber Os Maias todos”, graceja o aluno, que está a chegar ao fim do 1.º ano do curso de Medicina na Universidade de Coimbra. Conselho?

Não vale a pena estar stressado, o que é preciso é estar concentrado”, garante Pedro Miguel Coelho que teve 18,8 valores no exame nacional de português, em 2015.

Nervos postos de parte, o que é preciso é teres muita atenção durante a prova e aplicares os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos.

Lê com atenção, aposta naquilo que dominas e revê a prova

Um passo de gigante para que a prova te corra bem passa por leres com muita atenção os textos e as perguntas que constam do enunciado,”primeiro uma leitura global e depois uma leitura dirigida”, avisa Maria Júlia Freire, professora de português na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Fogueteiro, Seixal, que aconselha os alunos a “começarem pelo grupo onde se sintam mais à vontade”, até porque isso lhes dará confiança para completarem o exame.

Aconselho os alunos a começarem pelo grupo onde se sintam mais à vontade”, destaca Maria Júlia Freire, professora de português na Escola Secundária Manuel Cargaleiro, no Seixal.

E se por acaso não estiveres a conseguir responder a uma questão não percas muito tempo. Passa à frente e voltas lá no final, sugere a mesma professora. E é também esse o conselho de Pedro Miguel Coelho: “Se o aluno não estiver a perceber a pergunta deve reler o máximo de vezes possível, sem gastar demasiado tempo. Se vir que já passaram dois minutos e meio ou três devem passar para a pergunta seguinte até porque pode encontrar alguma dica para a resposta anterior. Caso contrário, na revisão, se sobrar tempo, volta lá.”

Controlar o tempo da prova é, aliás, essencial “ainda que o tempo nunca tenha sido, até hoje, um problema no exame de português”, alerta Alice Ribeiro, professora de português na Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia. E como é que isso se faz? “Olhando para a prova, vendo quantas perguntas tem, que tipo de matéria traz e calculando quanto tempo precisam para responder a cada um dos três grupos.”

É também importante, sublinham ambas as professoras, que sobre tempo no final para reveres a prova. Desta forma poderás verificar se te escapou alguma questão, se está tudo devidamente assinalado ou se cometeste algum erro. Na opinião de Alice Ribeiro só há uma parte da prova em que não se deve mexer.

Eu costumo dizer aos meus alunos que está proibida a revisão da escolha múltipla. Nestas, normalmente, o bom aluno vai fazer asneira. E se não souberem mesmo a resposta, tentem a sorte. Deixar em branco é zero garantido, assim pode ser que tenham sorte”, aconselha a professora Alice Ribeiro.

De resto é “fundamental a estruturação do discurso“, alerta Maria Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português. “Devem ter muita atenção à correção linguística como a acentuação, a pontuação, a ortografia (atenção ao acordo ortográfico) e a sintaxe”, completa Maria Júlia Freire.

E para ajudar às respostas, é importante ires fazendo sublinhados no texto, ou tomares notas, em forma de tópicos, na folha de rascunho.

Alice Ribeiro, que é também corretora de provas, sublinha que “um grande testamento normalmente é um texto caótico em termos de organização. Não é bom”. “Quando olho para o texto do último grupo do exame e vejo um parágrafo único ou dois parágrafos, em termos de estruturação, é logo zero”, garante. Por isso, já sabes: estrutura bem as ideias e usa conectores que permitam criar uma progressão na tua argumentação.

Alunos não têm tido muito sucesso nos exames de português

A verdade é que mesmo sendo a língua materna da grande maioria dos alunos que vão a exame, português não tem apresentado médias espetaculares.

Até agora, os piores resultados no exame de português de 12.º ano, na 1.ª fase, foram registados em 2011. Os alunos internos (aqueles que frequentaram a escola durante o ano letivo), no seu conjunto, não conseguiram mais do que uma média de 9,6 valores, naquele ano. Em 2013 voltaram a ficar abaixo dos 10 valores. E só em 2014 a média recuperou, tendo voltado a piorar no ano passado.

Media-Exame-Portugues-2015

É preciso frisar, avisam os professores com quem o Observador falou, que português é a prova que mais alunos leva a exame. Este ano estão inscritos quase 55 mil alunos internos nesta prova e mais de 75 mil no total (incluindo externos, para melhoria de nota).

E muitos desses alunos são de ciências “e estão frisados em matemática e física e não se esforçam a português. A grande preocupação deles é com a matemática que é a prova específica na maioria dos cursos que pretendem”, justificou Maria Edviges Ferreira, presidente da Associação de Professores de Português.

Um motivo que não explica por si só os resultados menos bons, afirma a professora Alice Ribeiro, da Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves, em Valadares, Vila Nova de Gaia. Professora há mais de 30 anos e corretora de provas, Alice Ribeiro aponta antes para o tempo letivo dedicado à disciplina. “Os alunos têm quatro horas de português e sete de matemática e nos últimos anos canalizaram-se vários meios para matemática. Temos quatro horas de aulas por semana e temos cinco domínios para serem trabalhados”, exemplifica.

Onde os alunos costumam errar mais é na parte gramatical, que vale 50 pontos numa escala de 0 a 200, detalha a presidente da Associação de Professores de Português, “porque os professores não os treinam tanto para as estruturas gramaticais” que é suposto virem adquiridas do básico.

O problema, enfatiza Alice Ribeiro, é que “os alunos chegam ao secundário sem as pseudo-metas do básico adquiridas. Eu no 10.º ano estou a dar matéria do básico. A gramática exige um poder de abstração enorme e os miúdos até ao 9.º ano não o têm, nem no 10.º às vezes”.

A somar a isso, “os alunos não consideram o funcionamento da língua, a gramática, uma matéria relevante e o que não é relevante o aluno não aprende“, remata a professora.

Pedro Miguel Coelho, que se destacou claramente da média do ano passado, com um resultado de 18,8 valores no exame de português, não acredita que seja a dificuldade da prova a determinar a média baixa nas notas de português. “O problema está no programa. Nós sentíamos que era muito aborrecido. Ensinaram-nos os Os Lusíadas, ok é importante, mas não nos ensinaram o que devíamos retirar realmente da obra, falta sumo.”