Os filmes, a vida e a personalidade de Orson Welles continuam a ser abundantemente estudados e escrutinados, e a dar origem a livros biográficos, de interpretação, de entrevistas e de memórias de quem conheceu ou trabalhou com o autor de “O Mundo a Seus Pés” e “A Sede do Mal”. Um dos grandes especialistas mundiais no cinema de Welles é o crítico norte-americano Jonathan Rosenbaum, autor de um dos livros fundamentais sobre o realizador, Discovering Orson Welles (2007), e colaborador de um outro, This is Orson Welles (1992), que compila uma série de conversas entre Peter Bogdanovich e Welles, e que Rosenbaum editou e anotou. O crítico foi igualmente consultor para a versão restaurada de A Sede do Mal, em 1998.

[Jonathan Rosenbaum fala sobre Orson Welles]

https://vimeo.com/126493045

Em junho, a Cinemateca vai dedicar a sua rubrica mensal “Histórias do Cinema” a Orson Welles, tendo convidado Jonathan Rosenbaum para a tutelar. Com início na terça-feira, dia 14, e conclusão no sábado, dia 18, e projeções sempre às 18.00, serão apresentados cinco filmes de Welles: O Mundo a Seus Pés (dia 14), Otelo (dia 15), A Sede do Mal (dia 16), O Processo (dia 17) e F for Fake (dia 18). Rosenbaum, que conheceu e entrevistou Orson Welles, apresentará e comentará, em inglês, as cinco sessões-conferência, segundo o modelo desta rubrica, pensada “como uma experiência cumulativa.”

[“Trailer” original de “O Mundo a Seus Pés”]

Grande defensor de Orson Welles perante os seus críticos, Jonathan Rosenbaum postula, por exemplo, que não devemos dar atenção apenas aos filmes que o realizador conseguiu acabar e estrear, mas ter igualmente em conta os que ele, por razões várias, não chegou a concluir. Estes também são importantes para compreender e decifrar a sua obra, explicar as suas idiossincrasias, fazer luz sobre a sua personalidade de artista e situá-lo na história do cinema dos EUA. Para o crítico, a cinematografia de Welles “nunca estará fechada” ao nível da interpretação.

[“Trailer” original de “A Sede do Mal”]

https://youtu.be/B0QlQtPnJP8

Num artigo publicado em 2005, quando se assinalaram os 95 anos do nascimento de Welles, Rosenbaum escreveu: “Porque ele nunca teve interesse em fazer a mesma coisa duas vezes, os que o recriminam por nunca ter feito outro ‘O Mundo a Seus Pés’ estão na verdade a culpá-lo por ter falhado em se acomodar enquanto realizador (…) E também convenientemente omitem que Welles só por uma vez teve acesso ao ‘final cut’ e aos recursos de um grande estúdio de Hollywood, o que aconteceu no seu primeiro filme, e que depois disso, sempre que teve que escolher entre recursos de estúdio e ‘final cut’, ele usualmente optava por este último.” Ao longo desta semana, na Cinemateca, vamos poder ouvir Jonathan Rosenbaum dizer de sua justiça sobre Orson Welles.