Investigadores da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) desenvolveram uma Roda dos Alimentos Mediterrânica para promover e valorizar os hábitos alimentares mediterrânicos junto dos portugueses.

Nesta adaptação, são valorizados aspetos como a cultura, a tradição e o equilíbrio, o ponto diferencial deste novo modelo em relação à Roda da Alimentação tradicional, lê-se na informação sobre o projeto na página oficial da UP.

Este modelo apresenta-se em forma de roda – “que reflete o prato e o convívio mediterrâneo à volta da mesa” – e evidencia os alimentos mediterrâneos mais relacionados com o padrão português, em diferentes grupos.

Pode-se identificar a azeitona e o azeite (fruto de origem e respetivo produto), no grupo dos óleos e gorduras, e a cebola, o alho, a couve-galega, os grelos, o tomate, os pimentos e as beldroegas, por exemplo, no grupo das hortícolas.

No que diz respeito ao grupo da fruta, destacam-se o melão, o figo, a laranja, a tangerina, a nêspera, e a romã, enquanto nos cereais, nos tubérculos e nos frutos amiláceos, podem ser encontrados a batata-doce, a castanha, a massa e o arroz integral.

A carne, o pescado e ovos, outro dos grupos, dá destaque ao peixe – em especial à sardinha, ao carapau, à cavala e ao atum -, nos laticínios são referidos o queijo e o iogurte, e no grupo das leguminosas é indicado que sejam todas ingeridas.

Este novo guia alimentar apresenta ainda duas mensagens relativas ao consumo de frutos gordos – havendo um apelo à sua ingestão – e de vinho – aconselha-se que seja moderado, às refeições, e proibido a crianças, adolescentes, grávidas e aleitantes.

As investigadoras da FCNAUP envolvidas no projeto, Sara Rodrigues e Bela Franchini, apelam ainda à preferência pela proveniência local dos alimentos e à incorporação de ervas aromáticas para evitar o abuso do sal.

Salientam a importância de uma gastronomia saudável, recorrendo a técnicas culinárias sadias tradicionais, como sopas, ensopados e caldeiradas, e à inserção da confeção dos alimentos no quotidiano através da partilha com família e amigos, bem como o combate ao sedentarismo.

Na criação deste novo modelo colaboraram a Direção-Geral do Consumidor e peritos de diferentes instituições e áreas, como por exemplo do design, que auxiliaram “no sentido de concretização de uma representação gráfica atrativa e clara da mensagem a transmitir”.

A construção da Roda da Alimentação Mediterrânea foi iniciada em setembro de 2015 e apresentada na passada quarta-feira.