Olha-se para as imagens que nos entram pela redação dentro através da televisão e só se vê islandeses aos saltos. Que raro, não era nada disto que estávamos à espera, sobretudo depois daquele 7 a 1 à Estónia. O empate com a Islândia é uma desilusão para quem queria mostrar já esta terça que os portugueses não foram a França só para ver a Torre Eiffel, mas não é caso único na História da seleção.

Há vinte anos, em Sheffield, Portugal também empatou 1-1 no jogo de estreia do Euro 96. Do outro lado estava a Dinamarca de Schmeichel e dos irmãos Laudrup. Os dinamarqueses vinham do último campeonato europeu com uma vitória suada e os pupilos de António Oliveira começaram a perder logo aos 22 minutos. Foi Brian Laudrup que marcou o primeiro golo dinamarquês da competição. Na segunda parte, Sá Pinto fez o empate final. Curiosamente, Portugal acabou a fase de grupos em primeiro lugar e a Dinamarca nem sequer passou aos quartos.

Nos quartos, os portugueses caíram com a República Checa.

Como bem lembra o Rui Miguel Tovar, 1996 não foi o primeiro balde de água fria em jogos no Europeu — muito menos no jogo de estreia. Nos idos de 1984, num estádio não muito longe daquele onde a seleção empatou em 2016, os portugueses não conseguiram melhor do que um empate a zero com a Alemanha. Nessa equipa, comandada por Fernando Cabrita, estavam jogadores como Veloso, Jordão, Chalana e Jaime Pacheco.

O segundo jogo desse Euro também não foi famoso. Portugal até marcou primeiro — António Sousa, a passe de Álvaro Magalhães –, mas vinte minutos depois deixou que a Espanha repusesse tudo como dantes, por intermédio de Santillana.

Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita? Nem por isso, mais uma vez. Em 1984, Portugal acabou em segundo lugar do grupo e foi às meias-finais (era a fase logo a seguir à dos grupos). As coisas até iam correndo bem aos patrícios: no fim dos 90 minutos, portugueses e franceses estavam empatados a um golo. No prolongamento, Jordão deu esperança às hostes lusas (1-2), mas do outro lado havia um homem perito em resolver assuntos destes. Michel Platini, pois claro.

Ora bem, contas feitas e…

De empates estamos conversados, mas de derrotas… Provavelmente já não se lembra disto (porque a seleção portuguesa até chegou às meias-finais) mas, em 2012, o Euro começou com uma derrota frente à Alemanha (Mario Gómez, aos 72 minutos). E, já que estamos a recordar coisas más, refira-se muito ao de leve aquela tarde horrível no Estádio do Dragão, em 2004, em que percebemos que os gregos também sabiam jogar à bola. Mais uma vez, em ambos os casos, nada que tenha desmoralizado os selecionados.

Em Mundiais, a história não é melhor. Há dois anos, no Brasil, a estreia foi uma derrota por 4-0 frente à Alemanha. Em 2010, na África do Sul, o primeiro jogo foi um empate a zero com a Costa do Marfim. Em 2002, num jogo de má memória com os Estados Unidos na Coreia do Sul, a seleção nacional perdeu 3-2.

Outra vez, rapazes?