O Banco da Grécia prevê para 2016 um recuo da economia grega de -0,3%, traduzindo uma melhoria face ao resultado de 2015 (-0,7%), mas alerta para riscos, como por exemplo, a concretização do ‘brexit’.

No relatório sobre política monetária 2015-2016 publicado hoje, o banco central grego espera que em princípio a evolução da economia seja mais positiva, graças ao crescimento que se espera para o terceiro e quarto trimestre.

Contudo, o banco central expressa preocupação sobre os efeitos negativos que poderia ter sobre a economia grega um eventual agravamento da crise dos refugiados ou um possível ‘brexit’, bem como as recentes subidas de impostos na Grécia, aprovadas para poder cumprir os requisitos do resgate.

O Banco da Grécia estima que a recente conclusão da primeira avaliação do terceiro resgate contribuirá para restabelecer a confiança dos investidores na economia grega.

Ao mesmo tempo, a instituição insiste na necessidade de avançar nos programas de reformas e de privatizações para restabelecer a confiança dos investidores.

O Banco da Grécia prevê que o desembolso da tranche de 10.300 milhões de euros em várias parcelas até setembro, dos quais 3.500 milhões servirão para o pagamento de atrasos do Estado, melhorará a liquidez na economia.

Segundo dados do Governo, os pagamentos em atraso do Estado no mês de abril já se cifram em 5.506 milhões de euros.

O banco central parte do princípio que em breve o Banco Central Europeu (BCE) voltará a aceitar os títulos de dívida gregos como garantia nas operações de refinanciamento dos bancos e incluirá a banca grega no programa de compra de dívida, que na opinião da instituição, gerará benefícios imediatos de até 500 milhões de euros.

Os benefícios indiretos para a economia serão muito mais importantes, segundo o relatório, pois melhorará a capacidade creditícia, tanto do Estado como da banca grega.

Por outro lado, o banco, presidido pelo ex-ministro das Finanças durante o governo conservador, Yannis Sturnaras, considera um erro o Eurogrupo ter tomado decisões demasiado “vacilantes” em relação ao alívio da dívida grega e pede iniciativas imediatas para a reestruturação da mesma.

O banco central defende que um pacote de medidas de alívio imediato teria efeitos muito mais benéficos para a sustentabilidade da mesma, dado que os juros estão em níveis mínimos históricos.

Simultaneamente, o relatório destaca que a decisão do Eurogrupo de manter o objetivo de excedente primário anual em 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2018 não é sustentável e propõe reduzir o mesmo para 2%.

O próprio presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, reconheceu na terça-feira, num discurso perante a comissão de Assuntos Monetários do Parlamento Europeu, que o objetivo de 3,5% não é realista e que poderia ser reduzido nos próximos anos.