A Parvalorem, que gere ativos do ex-BPN, vendeu créditos que o Estado tinha sobre a Galilei Saúde, dona do British Hospital e da rede IMI, a um preço inferior ao que era oferecido por outros interessados, noticia esta quarta-feira o Público. Os créditos foram vendidos por 16 milhões de euros a um fundo luxemburguês chamado FPB, um desconto de 27% em relação ao valor nominal das dívidas. Segundo o jornal, havia ofertas melhores, o que já levou a que o Ministério das Finanças tenha sido alertado de que os interesses do Estado poderão não ter sido acautelados neste caso.

Uma das empresas de capital de risco que estava interessada era a Capital Criativo, que se dispunha pagar a totalidade dos 22 milhões de euros a que estão avaliados os créditos, condicionais a uma análise aprofundada às contas da Galilei Saúde que não foi autorizada. Ao comprar esses créditos, estes seriam convertidos em capital e levariam a que o comprador passasse a controlar o British Hospital e a rede IMI (Imagens Médicas Integradas).

Interessada estava, também, a Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG). Tanto a Capital Criativo como a AMMG apresentaram as suas propostas, irrevogáveis, segundo o Público. Com a venda ao fundo FPB, a AMMG foi informada que a sua oferta tinha sido preterida — algo que a associação “estranhou, mas aceita”, diz o jornal. A oferta da Capital Criativo também foi recusada.

Assim, o fundo FPB aceitou pagar 22 milhões mas tem até 2028 para pagar a totalidade do valor (as outras ofertas eram imediatas, ainda que condicionais à análise das contas). Mas se o fundo pagar antes de 2028, beneficiará de um desconto de seis milhões de euros, daí os 16 milhões de euros que poderão vir a ser pagos pelo FPB. O fundo apenas pagará os 22 milhões se esperar até 2028, diz o Público, pelo que em teoria pode aparecer na escritura com 16 milhões de euros e ficar com os ativos.

O jornal contactou o presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, que indicou que a oferta do FPB lhe chegou pela mão de dois administradores da Galilei Saúde e garantiu que “nenhum interessado se chegou à frente com os 22 milhões“. Pelo que os ativos foram entregues à que parecia ser “a melhor operação”, na ótica da Parvalorem.

O responsável acrescentou que a análise aprofundada às contas, pedida por alguns interessados, designadamente a Capital Criativo, não foi autorizada porque tinha como objetivo “fazer baixar o preço do ativo” — um “risco real que não quisemos correr“.