Fernando Santos, chegado à sala de imprensa em Marcoussis, confessou o seu mau-humor ao despertar – e sobretudo ao despertar quando “não se vence no dia anterior” –, mas foi sempre sorridente, até descontraído, que abordou o empate com a Islândia e fez a antevisão do que será o próximo jogo, contra a Áustria.

Já lá vamos aos austríacos — e ao jogo de sábado no Parc des Princes, em Paris. Primeiro, a Islândia. Empatámos, sim, mas não há ninguém cabisbaixo ou toalhas deitadas ao chão entre portugueses. Antes pelo contrário. “O que vos posso aqui garantir é que não há ninguém desmotivado. Sim, há desilusão pelo empate, não o podemos esconder. E quando aqui chegámos [Marcoussis] às três da manhã, estávamos em baixo. É normal. Mas esta manhã já conversei com os jogadores e nota-se que a moral está a subir: há empenho, há vontade e determinação; queremos vencer a Áustria.”

No final do encontro com a Islândia, a Cristiano Ronaldo foi perguntado o porquê do empate. E o capitão português foi crítico do futebol islandês. Culpou-lhes, Ronaldo, a atitude defensiva. Excessivamente defensiva. Pouco depois, o selecionador islandês, Lars Lagerbäck, respondeu na mesma moeda, e atirou que se Portugal queria vencer, teria que ter jogado mais. Hoje Fernando Santos resolveu colocar água na fervura.

“No final do jogo devemos ter alguma ponderação no que dizemos. Todos nós. Mas especialmente os treinadores. Os jogadores falam a quente. E os treinadores seguram-se para não dizer algumas coisas a quente. É normal. Eu respeito muito o senhor Lagerbäck, é uma pessoa fantástica, mas se o Ronaldo é acusado de alguma falta de fair play, a Islândia também não foi propriamente um exemplo de fair play na antevisão do jogo. Não foi muito correta. O fair play deve começar nos treinadores”, explicou o selecionador.

Mas afinal, e falando de futebol e não de tricas, o que correu mal no jogo? “O adversário teve mérito. E conseguiu um golo. Nós às vezes achamos — ou melhor, quem vê o jogo de fora acha — que estamos a jogar sozinhos. E não estamos. A Islândia defendeu bem. E isso é mérito deles. Se desiludimos? Não acho. Não foi uma exibição desastrada de Portugal. Criámos uma seis ou sete oportunidade de golo. E merecíamos ter vencido o jogo. Tal como não fiquei eufórico com os 7-0 à Estónia, também não passo agora do oito ao oitenta. Só dependemos de nós para concretizar o nosso objetivo, que é vencer o Euro”, garantiu.

Então vamos lá à Áustria. “A Áustria é diferente da Islândia. Acho até que é uma equipa mais próxima da nossa na forma de jogar. Os austríacos gostam de ter bola, têm jogadores com uma grande qualidade técnica e querem vencer. Jogam sempre para vencer. Mas nós também. Há coisas menos positivas para retificar. O futebol é mesmos assim. Para vencer, temos que concretizar mais e não sofrer. Uma coisa é certa: só dependemos de nós para vencer o grupo. Os jogadores acreditam. Mas atenção que a Áustria é a 10.ª classificado no ranking da FIFA. Não é por acaso…”

Mudanças, haverá? Fernando Santos admitiu que houve uma outra exibição menos conseguida, mas responsabiliza o topo e iliba a parte. Aliás, o selecionador nunca individualiza. E a imprensa, sobretudo a estrangeira, insistiu. Renato Sanches a titular? “É bom rapaz, o Renato. E é bom jogador. Se não fosse, não o tinha chamado.” Ronaldo jogou mal com a Islândia? “Portugal não é só Cristiano Ronaldo. Ele é o melhor do mundo. É fundamental. É importantíssimo. Adjetivem-no como quiserem. Mas Portugal não é só ele.”

E Quaresma, afinal, não jogou de início contra a Islândia por causa da mialgia ou não? E contra a Áustria, será titular? Fernando Santos desfaz as dúvidas. Ou cria mais dúvidas ainda: “Não vou assumir se vou fazer mudanças ou não. Mas só temos três dias para recuperar e vamos ter que refrescar a equipa. Não vou mudar um jogador porque jogou melhor ou pior. Mas posso mudá-lo por causa da condição física. Quaresma? Estava disponível em termos clínicos e não jogou por opção técnica. Não jogou porque, não estando lesionado, estava propenso a uma lesão. Não reunia condições para jogar o tempo todo. E não podemos arriscar colocar um jogador em campo e ter que tirá-lo pouco depois. Se vai jogar contra a Áustria? Tenho que avaliar.”