A bastonária da Ordem dos Enfermeiros lançou o alerta: há hospitais a fecharem camas por falta de enfermeiros. E o Observador foi verificar como tem evoluído o número de camas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). De acordo com o Portal da Transparência do SNS, não considerando os hospitais em parceria público-privada (PPP), havia em abril de 2016 menos 20 camas de agudos nos hospitais públicos, do que em abril de 2015.

Ao todo, contabilizavam-se 19.652 camas no passado mês de abril, que comparam com as 19.672 em abril de 2015. Se a comparação tiver por referência o mês de janeiro de 2015 aí a quebra é maior: menos 64 camas. Mas é preciso referir que, por norma, em janeiro há mais camas disponíveis para fazer face ao pico da gripe, por exemplo.

Verificando os números mais ao detalhe percebe-se que a redução mais expressiva foi sentida nas camas cirúrgicas (menos 22 face a abril de 2015). Já no caso das camas médicas houve até um aumento: mais 28 do que em abril do ano passado.

Segundo a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, a falta de enfermeiros tem conduzido à redução de camas em alguns serviços hospitalares, segundo noticiou esta quarta-feira o DN. Citado pelo mesmo jornal, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, reconheceu a falta de enfermeiros, mas acrescentou não ter “tanta certeza que a falta de enfermeiros seja extrema”, rematando que é preciso, sim, fazer a melhor distribuição de enfermeiros em alguns serviços.

Questionada pelo DN, a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) disse que desde “26 de novembro de 2015 foram admitidos 1.314 enfermeiros nos hospitais do setor empresarial do Estado”.