O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, apelou esta quarta-feira à organização sindical Confederação Geral do Trabalho (CGT) para “não organizar” manifestações em Paris que possam gerar violência, após 40 pessoas terem ficado feridas na terça-feira, num protesto contra a reforma laboral.

Manuel Valls criticou a CGT pelas manifestações violentas que abalaram o país nos últimos três meses e ameaçou proibir determinados desfiles. “Peço à CGT para não organizar mais este tipo de manifestações em Paris”, declarou Valls à rádio France Inter, referindo que o Governo assumirá as suas responsabilidades, apesar de não poder decretar a proibição geral dos protestos.

Além dos 40 feridos nos confrontos com a polícia, as manifestações de terça-feira em Paris contra a reforma laboral resultaram na destruição de caixotes do lixo, que foram incendiados, e em estragos em estabelecimentos comerciais, bem como na destruição das janelas de um hospital psiquiátrico.

No fim de maio, um veículo da polícia tinha sido incendiado, mas os ocupantes conseguiram sair ilesos.

As manifestações ocorrem numa altura de grande pressão para as forças de segurança francesas devido à realização do campeonato europeu de futebol (Euro2016) e do alerta contra o terrorismo, em vigor desde os atentados de 13 de novembro de 2015, em Paris, que provocaram 130 mortos.

Na segunda-feira à noite, um ataque perto de Paris reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (também conhecido por Daesh) provocou dois mortos, um vice-comandante da polícia e a mulher. O atacante acabou por ser abatido pelas forças de segurança.

Dois outros dias de greves e manifestações por toda a França estão já previstos para 23 e 28 de junho.

O primeiro-ministro socialista anunciou esta quarta-feira a sua recusa em abandonar a reforma contestada, argumentando que o texto foi “o resultado de um compromisso com os sindicatos reformistas”.