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Elas querem estudar e precisam de ajuda financeira. Na Internet, os credores aproveitam-se desta necessidade e oferecem os já chamados “empréstimos nus”.

Um grupo de credores chineses montou um esquema em que se pede, como garantia de pagamento das prestações, fotografias nuas das raparigas que pedem os empréstimos.

Quando tiram as fotografias, é pedido ainda às raparigas que segurem um cartão de identificação de forma a que aqueles que fazem o empréstimo possam divulgar a fotografia na internet caso os pagamentos de prestações não sejam efetuados dentro do período estabelecido, informa o The Guardian. Segundo o People’s Daily, uma das mulheres que pediu o empréstimo pagou taxas de juros a 30% por semana.

O esquema de empréstimos ilícito está a ser feito através do site JD Capital’s Jiedaibao, uma plataforma onde se pode emprestar e pedir dinheiro, estabelecendo os utilizadores os termos de pagamento com os credores.

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Segundo o Jiedaibao, uma estudante chinesa contraiu um empréstimo no valor de 120.000 yuans (16.250 euros) a um desses credores. Passados quatro meses, a sua dívida tinha, alegadamente, duplicado, pelo que a rapariga teve de pedir dinheiro aos pais para que a fotografia onde aparecia despida não fosse divulgada.

Depois de tornada pública, a prática foi alvo de várias críticas por parte de internautas chineses que partilharam a denúncia milhares de vezes.

No entanto, alguns utilizadores do Weibo – a maior rede social chinesa – mostraram-se críticos das raparigas que se submetem à prática, havendo comentários como “Elas não merecem empatia” ou “Só devias gastar o dinheiro que consegues ganhar por ti própria”.

Um porta-voz da Jiedaibao afirmou ao The Guardian que a empresa condenava estes “empréstimos nus” e que estava a trabalhar com a polícia para investigar e travar a prática.