Sir Clement Freud, um radialista e político inglês, foi acusado, esta terça-feira, de ser um pedófilo que abusou sexualmente de duas crianças ao longo de vários anos. A notícia chocou o casal McCann, pois chegou a estar na casa que Freud tinha na Praia da Luz pouco depois de Maddie ter desaparecido em 2007.

Freud, que morreu em 2009, terá abusado, durante vários anos, de Sylvia Woosley. Quando o caso de abuso começou, Woosley teria apenas 10 anos. A segunda vítima, que preferiu manter-se anónima, afirmou que Freud também abusou dela quando era uma criança e que a violou quando tinha 18 anos.

Os detetives responsáveis pela investigação de Madeleine McCann foram alertados de que o radialista tinha uma moradia na Praia da Luz, vila turística onde desapareceu a menina de três anos, em 2007. Depois do desaparecimento da inglesa, Freud conheceu os seus pais e recebeu-os duas vezes em sua casa, mantendo contacto por telefone e e-mail.

O casal McCann já se pronunciou sobre a acusação a Freud, dizendo estarem horrorizados com a descoberta, informa o Telegraph. No entanto, a família já disse que Freud não se encontrava em Portugal aquando do desaparecimento de Maddie.

Lagos, PORTUGAL: A poster displaying the front page of the British newspaper The Sun shows 05 May 2007 a picture of three-year old British girl Madelaine McCann who went missing at the Ocean club apartment hotel in Praia de Luz , in Lagos. A team of three British police detectives arrived in Portugal today to help track down a suspected kidnapper believed to have abducted a British toddler. AFP PHOTO/- NO SALES (Photo credit should read -/AFP/Getty Images)

Maddeleine McCann, a rapariga que desapareceu na Praia da Luz, em 2007. (AFP/Getty Images)

Woosley, agora com perto de 70 anos, afirmou num documentário da ITV, Exposure: Abused and Betrayed – A Life Sentence, que só confessou agora os abusos porque queria “ficar de consciência limpa antes de morrer”, de acordo com o The Guardian.

Clement Freud, neto do psicanalista Sigmund Freud, serviu como Membro do Parlamento inglês eleito pelos liberais entre 1973 e 1987, anos durante os quais terá abusado sexualmente de uma outra rapariga, que preferiu manter-se anónima.

A viúva de Freud, Jill Freud, 89 anos, afirmou num depoimento gravado para o documentário que “este é um dia muito triste para mim. Eu estive casada com o Clement por 58 anos e amei-o bastante. Estou chocada e profundamente entristecida pelo que aconteceu a estas mulheres. Espero, sinceramente, que agora possam ter alguma paz.”

Woosley explica no documentário como o homem a beijou uma vez num autocarro e ela se sentiu “enojada e impotente”. Uns meses mais tarde, o casamento da mãe da jovem rapariga terminou e as duas foram viver com Freud e a sua mulher.

A mulher septuagenária afirma no documentário que, durante os cinco anos em que viveu em casa dos Freud, foi várias vezes molestada, mas que achava que Jill nunca soube dos acontecimentos.

A outra mulher molestada por Freud afirma que o radialista começou por mostrar-se interessado nela quando tinha apenas onze anos. Freud beijava-a na boca e abraçava-a e, em junho de 1978, terá violado “brutalmente” a rapariga que então tinha 18 anos. Clement Freud tinha, na altura, 54 anos.

Um porta-voz dos Liberais Democratas declarou que estas alegações são terríveis e afirmou que o partido não tinha qualquer conhecimento dos acontecimentos.