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(Atualizado às 19h de 16 de junho com esclarecimento da Câmara Municipal de Lisboa)

O vereador do CDS na Câmara Municipal de Lisboa diz-se incrédulo com o estudo que a autarquia encomendou relativamente à nova Feira Popular. No início deste mês, e depois de “múltiplos pedidos”, João Gonçalves Pereira viu finalmente o documento que a câmara mandou elaborar em novembro do ano passado e que define as linhas estratégicas do futuro parque de diversões da cidade. Agora que o conhece, o vereador acusa o executivo de Fernando Medina de “extravagância”.

O documento que o gabinete da presidência da câmara remeteu ao eleito centrista é uma apresentação de PowerPoint com 51 diapositivos, a maior parte dos quais com imagens de diversas atrações: montanhas-russas, túnel da morte, carrosséis e outros. De acordo com o contrato feito entre a câmara e a empresa holandesa Jora Vision, especializada em parques de diversões, o estudo custou 57 mil euros.

“Depois de me terem enviado o PowerPoint, fiquei tão estupefacto que perguntei se aquilo era mesmo o estudo”, afirma o vereador do CDS, que diz que obteve uma resposta positiva. “Já percebo porque é que demorou tanto tempo. Até Medina deve estar envergonhado com este estudo”, comenta Gonçalves Pereira, que decidiu tornar público o documento.

No PowerPoint é possível ver alguns diapositivos dedicados à história da Feira Popular e outros relativos ao conceito que se quer para o futuro parque, a construir perto da Pontinha. Há ainda uma secção sobre as projeções económicas da nova feira. De acordo com este estudo, cada bilhete custará dois euros e espera-se que o número de visitantes suba consistentemente até 1,4 milhões, em 2022. Estima-se que o custo total da nova feira ronde os 70 milhões de euros, 27 dos quais destinados à instalação de atrações.

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“Agora temos estudos que custam mil euros por página”, diz o vereador centrista ironicamente. Para Gonçalves Pereira, isto “revela desgoverno por parte da câmara” e, por isso, decidiu pedir esclarecimentos sobre o tema.

Numa resposta enviada pelo gabinete de Fernando Medina ao Observador esta tarde, o autarca esclarece que “a câmara não pagou 57 mil euros por um PowerPoint, mas por um trabalho de vários meses que passou pela definição de um conceito estratégico de raiz para o que será um dos maiores parques urbano e de diversões da Europa”. A nota acrescenta ainda que esse trabalho da Jora Vision “passou ainda pelo estudo da melhor localização das distintas áreas no espaço do parque, incluindo trabalhos de arquitetura 2D e 3D, e a elaboração de um longo vídeo que serve de apresentação do conceito aos potenciais investidores privados”.

“A Jora Vision é uma empresa holandesa que efetuou estudos para alguns dos maiores parques temáticos na Europa, como é o caso da Disneyland Paris, Futuruscope, Tivoli ou Legoland”, lembra o esclarecimento de Medina.