A Área Metropolitana do Porto (AMP) vai discutir na sexta-feira o modelo de gestão da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), estando sobre a mesa uma proposta que implica que a gestão seja feita pelas autarquias, algo considerado “melindroso” em Valongo.

A reunião de câmara descentralizada, que decorreu esta quinta-feira na freguesia de Alfena, concelho de Valongo, ficou marcado pela discussão à volta da gestão da STCP, um tema que será debatido em reunião extraordinária pela AMP. “Em causa está um memorando de entendimento que vai ser discutido amanhã [sexta-feira] e em causa está a proposta de o Estado manter a propriedade da STCP, mas contratualizando com as câmaras a gestão”, referiu o presidente da autarquia valonguense, o socialista José Manuel Ribeiro.

As câmaras que passariam a gerir esta empresa de transportes públicos são as seis que usufruem deste serviço: Porto, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Valongo, Gondomar e Maia. A gestão a partir das autarquias inclui, entre outros aspetos e obrigações, a renovação da frota.

A autarquia de Valongo, distrito do Porto, estima que, caso venha a integrar esta solução para os STCP, terá de contribuir com cerca de 200 a 300 mil euros/ano. “É uma fatura a mais porque em cima da mesa está a possibilidade de os municípios pagarem o serviço público. O valor não está fechado e existem as variações face ao preço do combustível ou procura do serviço”, indicou o presidente da câmara, acrescentando que Valongo tem “um peso de cerca de 5% nesta operação”.

José Manuel Ribeiro, que governa sem maioria, não conseguirá levar à AMP sexta-feira qualquer decisão de Valongo quanto a esta matéria, uma vez que na tarde de hoje a oposição, constituída pelo PSD e pela CDU, considerou que falta informação, uma opinião que, aliás, o presidente da câmara disse “compreender muito bem”.

Hélio Rebelo (PSD) aconselhou mesmo os serviços jurídicos da autarquia a estudarem este modelo de forma a perceber quais a consequências e vantagens de uma adesão ou não adesão, enquanto Adriano Ribeiro (CDU) sugeriu que seja pedida mais informação para discussão e decisão posterior.

“Não tenho condições para transmitir uma posição do município. Hoje não se conseguiu formar uma posição que reflita o interesse municipal e eu percebo isso. É um assunto muito melindroso. Num concelho como este, se estas questões não forem bem avaliadas, pode ser mortal”, disse à Lusa, à margem da reunião, José Manuel Ribeiro.

O autarca referiu que enquanto presidente de câmara acha que “Valongo deve estar incluído na solução da STCP”, mas frisou que esperará “sempre pelo conforto de uma decisão colegial”, referindo-se quer à restante vereação quer à Assembleia Municipal. Este tema voltará a ser discutido na próxima reunião de câmara.