O grupo extremista Estado Islâmico continua a realizar “um genocídio” contra os yazidi, uma minoria étnico-religiosa curda existente no Iraque e na Síria, advertiu esta quarta-feira a comissão de inquérito da ONU sobre os direitos humanos na Síria.

O “genocídio (…) está em curso”, indicou num comunicado o presidente da comissão, o brasileiro Paulo Pinheiro, apelando ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para recorrer ao Tribunal Penal Internacional e tomar medidas para proteger aquela população.

Paulo Pinheiro assinalou que o Estado Islâmico (EI) “submete cada mulher, criança e homem yazidi que captura às atrocidades mais horríveis”.

Num relatório divulgado esta quarta-feira, a comissão, mandatada pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, indica que na Síria “milhares de mulheres e de raparigas continuam prisioneiras e vítimas de abusos”, sendo frequentemente submetidas à escravatura.

Cerca de 3.200 yazidi estão nas mãos do Estado Islâmico, a maioria na Síria, segundo os investigadores. As mulheres são mantidas como escravas sexuais, enquanto os rapazes são endoutrinados e utilizados nos combates.

O EI “continua a procurar destruir os yazidi de várias maneiras”, consideram os investigadores da ONU, que não conseguiram deslocar-se à Síria, mas obtiveram o testemunho de sobreviventes.

A comissão denuncia o modo como “o grupo terrorista procedeu à transferência forçada dos yazidi para a Síria, após os ataques realizados na região de Sinjar (feudo dos yazidi) no norte do Iraque a 03 de agosto de 2014”.

Agrupados nomeadamente no Curdistão iraquiano e considerados heréticos pelo Estado Islâmico, os yazidi praticam uma religião monoteísta com raízes no zoroastrismo, fundado na antiga Pérsia pelo profeta Zaratustra, e que foi buscar alguns elementos ao cristianismo e ao islamismo.