“É uma zona calma, em que temos o campo e, entre aspas, o mar”, sublinha Nelson Prata, de Massamá, que descobriu a praia da Peneda-Pego Escuro, no centro da vila de Góis, na concentração de motards que se realiza todos os anos no concelho.

Há um ano que Nelson, a mulher e o filho aparecem antes da “confusão” das motas, em agosto, encontrando na praia fluvial, que tem Bandeira Azul desde 2013, descanso.

E o descanso não se justifica apenas pela paisagem que circunda a praia, mas pela água pouco profunda e sem ondas que, para os pais, evita “stresses” maiores de se andar a vigiar constantemente os filhos, constata.

“Gostamos muito do clima, mas principalmente do verde e do rio. É lindíssimo passear aqui à noite. É descanso, é paz – o ideal”, disse à agência Lusa a mulher de Nelson, Margarida Tomás, referindo que tem vários amigos que também procuram “este género de férias” para fugir da confusão do meio urbano.

Carlos Paixão, natural de Góis, mas residente na Póvoa de Santa Iria, sempre que pode regressa à sua vila, que é também o seu refúgio.

“A gente olha para um lado e para o outro e só vê árvores. E, no amanhecer, ouve-se a passarada a cantar. É outro mundo”, observa o homem de 66 anos, considerando que, “se não fosse o rio”, Góis estava esquecida.

Nos últimos anos, Fátima Brito, residente no concelho, tem observado um aumento de turistas que procuram a praia fluvial.

“É o que a gente tem cá de bom, é o rio. Também faz a gente ficar alegre, porque traz muita gente”, explica, recordando ainda o tempo em que não havia praia fluvial e em que as meninas tomavam apenas banho à noite, “com as velhas”.

Hoje, “já toda a gente toma banho” sem pudores de outros tempos, numa zona que mudou muito após a intervenção da autarquia nos anos 1990.

De um simples açude, criaram-se acessos, parque de estacionamento, esplanada, relvado e demais estruturas, tendo o espaço sido aperfeiçoado pela Câmara de Góis ao longo dos anos, disse à Lusa a presidente da autarquia, Lurdes Castanheira.

“A água aqui não é tão fria, temos a ilha de areia, temos um parque mais acima e uma árvore onde podemos saltar”, diz Tomás Almeida, de 13 anos, confesso adepto da praia fluvial, em que a “água é mais calma” e “não há as chatices” de bandeiras amarelas ou vermelhas.

Para Eduardo Correia, sócio-gerente da empresa que gere a esplanada junto à Peneda, o “grande investimento” da autarquia nas praias fluviais, contando o concelho com duas praias com bandeira azul, está a dar frutos.

“Sentimos que a oferta turística se diversificou em várias áreas” e há um aumento da “procura do concelho”, quer por turistas “nacionais ou estrangeiros”, realçou, frisando que algumas pessoas compraram até “uma segunda habitação”.

Ana Alhinho, natural de Lisboa, admite que a praia ajudou na altura de investir na casa dos seus antepassados, que eram de Góis.

“Se calhar, se não tivesse praia, não me seduzia tanto vir para cá. Isto faz bem, vamos daqui com outra alma, com outro espírito, com as energias retemperadas”, conta a lisboeta, que também é adepta “da praia de mar”, mas que encontra no campo um “complemento”, onde há “mais calma e mais sossego”.

Humberto Baieta, de 78 anos, sentado num dos bancos perto da ponte que passa pelo rio Ceira, sublinha que, sem praia, Góis “não era nada”. No entanto, a vila apenas ganha vida no verão, constata.

“O que isto tem aqui é beleza. Faltam as pessoas”, lamenta.

A praia Peneda-Pego Escuro foi a escolhida pelo júri nacional da Bandeira Azul para ser o palco da cerimónia do 1.º hastear da Bandeira Azul 2016, em praia fluvial, na sexta-feira.

Este ano, são 22 as praias fluviais que recebem a distinção.