Três instituições da área agroalimentar, florestal e veterinária formaram um consórcio com mais de mil investigadores para ajudar a indústria no reforço da sua competitividade e na aposta na segurança alimentar.

O Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa e Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica (IBET) são as três instituições da parceria AGRO-TECH Campus de Oeiras.

“Dada a relevância do setor agroalimentar e florestal em Portugal, que está a crescer e a exportar acima da média nacional e a criar bastante emprego, resolvemos reforçar as nossas competências neste domínio” e constituir o consórcio, disse hoje à agência Lusa o presidente do INIAV.

Nuno Canada explicou que se trata de “unir esforços no sentido de ajudar a fileira agroalimentar e florestal e focar a capacidade instalada nas suas necessidades”.

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O consórcio, que será esta sexta-feira apresentado, “vai ser o maior campus da ciência e tecnologia do país na área agroalimentar e florestal e diferencia-se pela sua dimensão – vamos ter mais de mil investigadores focados nestas áreas do conhecimento”, avançou o responsável.

As entidades concentram, segundo Nuno Canada, “um conjunto alargado de infraestruturas únicas no país”, como os laboratórios nacionais de referência de saúde animal, sanidade florestal e segurança alimentar, e instalações piloto, que “permitem fazer experimentação num nível avançado” e desenvolver soluções inovadoras, conhecimento a transferir para a indústria.

O campus de ciência e tecnologia, que ficará em Oeiras, permite também a prestação de serviços diferenciados ao setor produtivo e à indústria e a formação de recursos humanos altamente qualificados.

Os investigadores vão orientar a atividade para “as necessidades das empresas portuguesas, em particular aquelas que têm maior incorporação de tecnologia e maior potencial exportador e necessitam de maior apoio para a sua diferenciação e internacionalização”, realçou o presidente do INIAV.

Com base em toda a cadeia de valor, vão desenvolver “novas soluções de diagnóstico numa lógica de contribuir para uma maior segurança alimentar e uma melhor saúde dos animais, sanidade vegetal e saúde pública”.

Um dos exemplos apontados por Nuno Canada é o trabalho relacionado com a biotecnologia e bioeconomia no desenvolvimento de produtos nutracêuticos (produtos com características alimentares e benéficos para a saúde) e farmacêuticos, a partir de produtos de origem vegetal.

O especialista recordou que os grandes desafios no agroalimentar se relacionam com o aumento da procura de alimentos devido ao crescimento da população, à maior capacidade de consumo das classes médias dos países emergentes, à migração para as cidades e às mudanças dos padrões de consumo.

“O aumento do consumo tem de ser acompanhado por um aumento proporcional da produção e há um conjunto de constrangimentos a esse nível, como as alterações climáticas, as novas doenças dos animais e das plantas e a escassez de terra disponível”, resumiu o presidente do INIAV.

E realçou que a intensificação da produção agrícola tem de ser sustentável, em termos ambientais, mas também económicos e sociais.