“Vamos ter de começar as finais mais cedo, o próximo jogo é uma final”. Estas foram as primeiras palavras de Fernando Santos, visivelmente transtornado com o segundo empate da seleção nacional no Euro, que obriga Portugal a vencer o próximo jogo com a Hungria para seguir para os oitavos de final. “Vamos jogar a final e vamos ganhá-la”, disse o selecionador, mostrando assim confiança na qualificação e no futuro de Portugal na prova.

A uma pergunta sobre a exibição de Ronaldo, Fernando Santos reagiu de forma irritada. “É só Ronaldo, Ronaldo, Ronaldo, o que joga e o que marca ou não. Isso só o prejudica a ele, Ronaldo, e ao seu jogo”, disse ainda o selecionador na zona de entrevistas rápidas, lembrando que o jogador até atirou uma bola ao poste. “Não podemos estar sempre a falar de Ronaldos, isso prejudica-nos!”, repetiu.

“Vamos mudar a agulha, não pode mesmo haver ansiedade. Até ao hotel há sempre um momento mais difícil, mas não podemos ficar aqui a carpir lágrimas ou a pensar no que aconteceu”, acrescentou depois o selecionador já na conferência de imprensa, fazendo questão de frisar que o “único foco” tem de ser o próximo jogo, a tal “primeira final” que Portugal vai disputar. Fernando Santos quer por isso passar à frente do “atirámos duas bolas ao poste” e do “foi injusto”, porque é “tempo de seguir em frente”, ainda que a equipa analise em conjunto o que falhou nesta partida que valeu mais um empate à equipa portuguesa. “O futebol não tem justiças, nem injustiças, é como é, não há estatísticas que nos valham”.

E, mais uma vez, a uma questão de um jornalista inglês sobre a forma em que está Cristiano Ronaldo, Fernando Santos só respondeu: “Eu não falo de Cristiano Ronaldo!” Mas, mais à frente, ao ser questionado sobre Nani, explicou-se. “Eu não falo sobre jogadores em particular, só falo sobre o coletivo”.

Sobre o jogo, o selecionador disse que “faltou eficácia, tal como no primeiro jogo”, mas sublinhou que a “equipa foi muito forte”, “controlou o jogo todo” e fez “várias situações” que “não concretizou”. “Atacámos pela esquerda, pela direita, pelo meio e nada”. Fernando Santos lembrou, aliás, que é a primeira vez, desde que é selecionador, que a equipa não marca em jogos oficiais, mas avisou também que é uma “equipa forte” e mostrou-se certo de que Portugal “vai derrubar o muro” e ganhar outra confiança depois disso. “Mas é preciso conhecer bem a realidade e estar preparado”.