O vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes defendeu hoje que o Presidente da República repetidamente procura colmatar a “falta de confiança” que a solução governativa de esquerda provoca internamente, nos parceiros europeus e nos investidores.

“Olho para a atuação do Presidente da República e aquilo que nele constato é uma procura consistente, repetitiva e deliberada de colmatar a falta de confiança que a solução governativa mais a esquerda radical provoca quer internamente, quer externamente, nos nossos parceiros europeus e nos investidores, que, como se tem visto não têm investido em Portugal”, afirmou Adolfo Mesquita Nunes.

Em entrevista à Agência Lusa a propósito dos 100 dias de mandato da direção de Assunção Cristas, Adolfo Mesquita Nunes discorda da oposição do seu partido à gestação de substituição, mas alinha-se com o veto presidencial ao diploma, numa matéria que “carece de legislação clara e que procure resolver e não criar problemas”.

O dirigente centrista desvaloriza manifestações públicas de bom relacionamento entre o Presidente e o primeiro-ministro, António Costa, lembra notícias sobre desconfianças de Marcelo Rebelo de Sousa face às contas do Governo e considera que “todos os dias se fazem leituras diferentes e diversas da relação entre ambos” e que isso “faz parte da espuma dos dias”.

“Penso que o Presidente da República percebeu a perplexidade que esta solução governativa de aliança do PS com os partidos da esquerda radical provocava internamente, quer externamente, nos nossos parceiros europeus e no mundo dos investidores, e tem procurado multiplicar-se em iniciativas que procuram reforçar a confiança em Portugal”, insiste.

O ex-secretário de Estado do Turismo concordou com o veto presidencial ao diploma da gestação de substituição em casos extremos de infertilidade, como ausência de útero da mulher, e sublinhou que aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa “procurou chamar a atenção foi para a legislação, a redação, o seu aperfeiçoamento e não entrou no debate sobre a maternidade de substituição”.

Sobre a sua própria posição face à gestação de substituição afirmou: “É tradicional que em determinadas matérias haja dirigentes partidários que não concordem com a posição do seu partido, esta é uma delas”.

“Parece-me que é função do Estado regular aquilo que acontece na sociedade, aquilo que surge naturalmente na sociedade e que coloca problemas jurídicos. O Presidente da República entendeu, e eu penso que acertadamente, que esta legislação não cumpria esse propósito”, declarou.

Sobre a Caixa Geral de Depósitos, o dirigente centrista refere que falta informação mas acentua o que, na sua ótica, já é conhecido: “Nos últimos 10 anos teve injeção de mais de 4 mil milhões de euros de dinheiro público dos contribuintes e serviu projetos públicos politicamente motivados que não tiveram o retorno devido”.

Adolfo Mesquita Nunes sublinha “a candura” com que BE e PCP olham para a Caixa e considera que “é inaceitável que o Estado que se endividou como ninguém, muitas vezes secando crédito e tirando crédito às famílias e às empresas, procure ter ainda maior poder económico, maior intervenção na economia à custa das famílias e das pessoas que tiveram de fazer um ajuste muito grande na sua vida e à custa de muito sacrifício”.

“Parece-me que aquilo que o Governo e os seus parceiros de coligação estão a fazer é voltar ao modelo de três resgates em 40 anos”, afirmou, frisando que “a convicção que muitas vezes se vê por aí de que tudo estaria resolvido se a banca fosse pública, se não houvesse banca privada, é desmentida por estas necessidades de recapitalização”.

“As pessoas têm muitas vezes, com razão, queixa dos políticos. Quando pedem Estado a mais, estão a pedir políticos a mais, mais políticos a interferir na sua vida financeira, na sua vida pessoal, empresarial, académica”, considerou.

O dirigente centrista teme as consequências de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia, no referendo de dia 23 de junho, sublinhando, numa posição pessoal, que a presença do país que é o referencial das “liberdades económicas” na Europa provoca algum “arrefecimento de um processo de integração política” que pensa que não é positivo para a União e para Portugal.

“Numa união política as cedências de soberania são superiores e ao contrário do que se diz perdemos mais capacidade de fazer valer os nossos pontos de vista do que num modelo com menor integração política”, disse.