Rádio Observador

Tecnologia

O digital veio dar “voz” aos consumidores?

222

Para a responsável pelo marketing da Uber em Portugal, a evolução tecnológica trouxe "mais comunicação e interação" entre empresas e clientes. As empresas têm de "saber comunicar" neste contexto, diz.

Filipa Côrrea Mendes, atual responsável pelo marketing da Uber em Portugal

A atual responsável pelo marketing da Uber em Portugal, Filipa Côrrea Mendes, não tem dúvidas: a evolução da tecnologia e das plataformas digitais veio dar “voz” aos consumidores de bens e serviços. “Cada vez mais os consumidores têm uma voz na oferta de produtos e serviços do mercado, o que contribui para trazer mais qualidade ao que existe”, afirma a responsável da tecnológica ao Observador.

A evolução da tecnologia e a popularização da Internet vieram trazer “novos hábitos e novas necessidades” de consumo aos utilizadores, acrescenta Filipa Côrrea Mendes. O que, se por um lado obriga as empresas a “saber comunicar neste novo contexto”, por outro traz-lhes uma oportunidade única: a de conhecerem como nunca o seu público-alvo.

[Hoje,] é muito mais fácil entender o nosso público-alvo, porque existe muito mais comunicação e interação com o nosso público, sejam consumidores sejam pessoas que nos seguem através das redes sociais, dos sites, etc“, explica a responsável da Uber.

É para debater tudo isto — a evolução dos hábitos de consumo digitais, a importância que estar presente no mundo digital tem hoje para as empresas e os desafios e oportunidades que isso coloca —, que desta esta sexta-feira até domingo especialistas nacionais nas áreas do empreendedorismo digital, marketing digital, gestão de redes sociais e startups se vão juntar, em Leiria, na Think Conference, uma conferência que ambiciona ser “o maior evento de marketing digital em Portugal”, a que o Observador se associou.

Filipa Côrrea Mendes, que será uma das oradoras do evento, explica que, ao conhecer melhor os clientes, torna-se “mais fácil” a uma empresa “responder às necessidades do utilizador através dos seus produtos, adaptar a oferta”. Na hora de escolher as competências essenciais para as empresas se darem bem neste contexto, a responsável da Uber aponta três: “uma boa ideia, isto é, uma boa proposta de valor”; uma “boa capacidade de operacionalização” dessa ideia, com a escolha de “plataformas tecnologicamente fortes”; e “um apetite para se ser inovador, porque é necessário ser disruptivo.”

A Uber, por exemplo, não seria bem-sucedida se não tivesse a capacidade de se inovar constantemente”, diz ainda.

Separar o marketing tradicional do digital? “Cada vez faz menos sentido”

GOOGLE,

Nuno Pimenta (Google)

Ainda que o marketing digital tenha “especificidades várias” face ao marketing tradicional, para Nuno Pimenta, Industry Manager da Google Portugal, “o digital está cada vez mais embrenhado no quotidiano das pessoas”, pelo que “cada vez faz menos sentido” separar as duas realidades.

A componente digital do marketing é fundamental. (…) A tecnologia evolui muito rapidamente e a adoção da tecnologia por parte dos consumidores também. As empresas que vemos ter maior sucesso são as que têm maior consciência disto e que mais rapidamente estão a transformar-se.”, afirmou ao Observador o responsável da Google, em resposta enviada por escrito.

O Industry Manager da Google Portugal, que também intervirá na Think Conference este fim-de-semana, aponta também para “a possibilidade de compreender o comportamento dos consumidores, com base nos sinais cada vez mais ricos que vão deixando online”, que a evolução tecnológica trouxe. Esses “sinais”, acrescenta, são fulcrais às empresas, na medida em que “podem informar decisões de investimento”.

Uma grandes das possibilidades que o marketing em plataformas digitais apresenta, para Nuno Pimenta, é a da segmentação, “que se tem vindo a desenvolver cada vez mais à medida que a intensidade de utilização da Internet aumenta”. Esta segmentação, explica, pode ser feita por “intenção”, permitindo às empresas comunicarem diretamente com o tipo de público que está à procura de um produto ou serviço específico.

Um bom exemplo é o que se passa no setor automóvel. Em cada momento, só 1% dos consumidores é que está no mercado para adquirir uma viatura. Poder comunicar com estes quando efetuam pesquisas no Google com o intuito de informar o seu processo de decisão é de um valor impressionante”, explica.

Sobre que tipo de empresas tem aproveitado melhor o potencial que o digital traz em matéria de marketing — se as de maior dimensão ou as startups, se empresas novas ou mais antigas —, Nuno Pimenta diz que “não é justo generalizar” e que as empresas que estão a tirar melhor partido da evolução dos meios digitais são “as que abordam este tema de uma forma transformacional e não incremental”, ou seja, as que entendem a necessidade de “transformar toda a forma como se entende o negócio e ter em conta as expectativas cada vez mais altas dos consumidores, que são potenciadas pelo acesso cada vez mais facilitado a informação que o digital traz”.

Já a responsável pelo marketing da Uber em Portugal, Filipa Côrrea Mendes, afirma que “ainda temos um longo caminho a percorrer” na exploração do potencial que o digital representa para as empresas, mas que, tanto para as que “nascem nesta área” tecnologia — i.e.: startups — como para as que “já existem e se transformam com esta nova importância de saber comunicar através de plataformas digitais” —, este é “um bom começo”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Texto editado por João Cândido da Silva
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: gcorreia@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)