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Lá bem longe vão os tempos de Ferenc Puskás, o senhor que jogava de peito feito e que marcou 84 golos em 85 jogos pela Hungria. A dos tempos áureos, que ficou em terceiro lugar no Europeu de 1964 e em quarto no de 1972, quando apenas quatro seleções jogavam a competição. Eram outros tempos e os húngaros muito demoraram até conseguirem voltar. Devem muito a Balázs Dzsudzsák, o capitão e extremo canhoto que corre pouco, mas cruza muito e bem e está na maioria dos golos que a equipa marca.

Agora, na negra, na “final”, como lhe chamou Fernando Santos, a Hungria terá Portugal pela frente. Um Portugal frustrado, agastado, desiludido consigo próprio. Com a bota torta e o coração cortado. É que os portugueses remataram 26 vezes contra a Islândia, mais 23 agora contra a Áustria. Não está a dar com a tecla. Já os húngaros, que supostamente defendem melhor do que atacam, registam três golos marcados e apenas um sofrido em dois jogos. Na defesa, já jogaram três centrais (trocou um no segundo jogo): Tamás Kádár (1.88m), Ádám Lang (1.88m) e Richárd Guzmics (1.90m). Pelo ar fica complicado. Conclusão: têm quatro pontos e lideram o Grupo F.

Hungria 2-0 Áustria
Hungria 1-1 Islândia

A Áustria está em décimo lugar do ranking, com belíssimos jogadores como Harnik, Arnautovic, Fuchs e, claro, Alaba. Por isso, eram favoritos face ao 20.º classificado do ranking da FIFA, a Hungria do alemão Bernd Storck. Apesar da teoria, os magiares encolheram os ombros, e ganharam 2-0: marcaram Ádám Szalai e Zoltán Stieber.

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Foi essa uma das grandes surpresas do Campeonato da Europa, a par do empate de Portugal vs. Islândia (1-1). Esta tarde de sábado, dia 18, os húngaros empataram à última hora contra os surpreendentes islandeses, que mais parecem a Grécia de 2004, a defender com os dentes cerrados e a coragem no pináculo da coisa. A Islândia marcou de penálti, por Sigurdsson, mas deixaria fugir a vitória, cortesia de Birkir Sævarsson, com um golo na própria baliza. O mesmo é dizer que os deuses do Olimpo, ou da Citadella de Budapeste que pisca o olho ao Danúbio, com Puskas atento, estão do lado desta seleção do Leste.

O que dizer mais sobre esta gente? Tem experiência na baliza: Király é o jogador mais velho de sempre a disputar um Campeonato da Europa (40 anos), ultrapassando assim o recorde de Lotthar Matthaus. A estreia de Király foi, curiosamente, contra a Áustria, em 1998

Depois, já se sabe, os nomes mais famosos entre os húngaros são Dzsudzsák, um canhoto que encantou no PSV, e Zoltán Gera, de 37 anos, um médio que jogou entre 2004 e 2014 na Premier League (West Brom e Fulham). Noutro patamar, estão dois avançados: Ádám Szalai, que já marcou neste Europeu, passou pela equipa B do Real Madrid e esta época jogou no Hannover, por empréstimo do Hoffenheim; e Krisztián Németh, um avançado que surgiu no futebol profissional no Liverpool (2007) e que joga atualmente no Qatar, com a camisola do Al-Gharafa, onde marcou sete golos em dez presenças (segundo o zerozero.pt). O outro golo da Hungria foi marcado por Zoltán Stieber, um médio de 27 anos que joga na Alemanha desde 2008. Antes passou por Inglaterra, onde atuou no Yeovil Town, por empréstimo do Aston Villa, clube que nunca representaria.

Aqui estão as estatísticas dos dois jogos da Hungria neste Campeonato da Europa: