Falta precisamente uma semana para Espanha ir às urnas desbloquear o impasse em que mergulhou no último mês de dezembro, quando os resultados das eleições não resultaram na formação de qualquer Governo. Mas as sondagens mais recentes, divulgadas este domingo, mostram que Espanha pode continuar sem luz ao fundo do túnel. O Partido Popular, de Mariano Rajoy, segue em primeiro lugar nas intenções de voto, seguido do Unidos Podemos que consolida o segundo lugar. O PSOE, de Pedro Sanchez, aparece como a terceira força e, juntos, PSOE e Podemos não chegam para formar Governo.

A avaliar pelo barómetro da Sigma Dos feito para o El Mundo, se as eleições de 26 de junho fossem hoje, o PP de Rajoy teria 30,5% dos votos (mais do que os 28,7% que teve nas eleições de dezembro), elegendo entre 124 e 129 deputados. A coligação Unidos Podemos consolidaria o segundo posto, com 24,8% dos votos, elegendo entre 86 e 92 deputados eleitos (em dezembro o Podemos teve 20,7%), enquanto o partido socialista espanhol, de Pedro Sanchez, surge em todas as sondagens deste domingo como terceira força, com apenas 20% dos votos, menos do que os 22% que conquistou em dezembro.

Já o Ciudadanos aparece praticamente com a mesma percentagem de votos que teve nas últimas eleições: 14,1% (tinha tido 13,9%), prevendo-se que eleja entre 35 e 40 deputados. Ou seja, as contas continuam sem ser favoráveis à formação de Governos entre os parceiros mais prováveis: PP com Ciudadanos, a avaliar pela sondagem do El Mundo, elegeriam na melhor das hipóteses 169 deputados, longe dos 176 necessários para obter a maioria absoluta; e Unidos Podemos com PSOE elegeriam 170 deputados, igualmente longe da maioria. Para a esquerda se unir, tendo em conta que PSOE e Podemos não chegam à maioria, teria de se juntar ainda a um partido independentista para contabilizar as cabeças que faltam.

Com estes números e cenários em cima da mesa, apenas uma coligação de bloco central, entre PP e PSOE, parece dar forma à matemática. Juntos, o partido de Mariano Rajoy e o partido de Pedro Sanchez perfazem 207 parlamentares, mas os dois partidos não parecem abertos a essa possibilidade de entendimento. Sem coligação ao centro, restaria ao PSOE aliar-se ao Unidos Podemos e a uma outra força independentista para reproduzir a “geringonça” inédita saída das eleições portuguesas.

O grande vencedor destas últimas sondagens é mesmo a coligação liderada por Pablo Iglesias que, tendo-se juntado à Esquerda Unida, consegue consolidar o segundo lugar no topo das intenções de voto, apenas separado por cerca de cinco pontos percentuais do Partido Popular, no governo.

As eleições espanholas realizam-se no próximo domingo, dia 26 de junho.