Um dos rostos do “Sair”, Nigel Farage, diz que a campanha em que participa, pela saída do Reino Unido da União Europeia, tinha mais ímpeto positivo até à morte da deputada Jo Cox. Esta é a primeira declaração de Farage após a divulgação de sondagens que apontam para uma tendência de recuperação da campanha pelo Remain (Ficar).

A declaração de Nigel Farage surgiu esta manhã num programa televisivo em que o líder do partido nacionalista UKIP foi questionado sobre a morte da deputada trabalhista. O entrevistador perguntou a Farage, recordando o caso de Jo Cox, se a forma como o “Sair” tem feito a sua campanha poderá ter estimulado o sentimento de ódio e violência entre as pessoas. Nigel Farage recusa essa hipótese e diz que tem sido, na realidade, “vítima” do discurso negativo que tem marcado a campanha.

“Com toda a franqueza, quando se fala em negatividade e retórica [negativa], temos visto muito mais vinda do lado do Ficar“, afirmou Nigel Farage.

O líder da UKIP defende que a campanha pelo Sair apenas quer “recuperar o controlo do país” e ter “uma política de imigração responsável“. Uma declaração que surge num momento em que um cartaz pelo Sair está a causar grande polémica no Reino Unido.

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O cartaz, onde surge uma fotografia de uma fila de refugiados a tentar entrar na Europa, está a levar a críticas ao líder da UKIP (o partido pela independência do Reino Unido). Até Michael Gove, outro rosto pelo Sair, terá “visto com alguma apreensão” o cartaz, segundo o The Independent. “Acho que foi a coisa errada a fazer”, afirmou o membro do governo de David Cameron que discorda do primeiro-ministro e recomenda o voto na saída.

Algumas sondagens divulgadas na semana passada davam até sete pontos de vantagem para a saída, mas os estudos de opinião que foram tornados públicos este fim de semana colocam o Leave (Sair) apenas dois pontos à frente do Ficar. Uma sondagem da YouGov para a ITV dá44% ao Sair e 42% ao Ficar. Cerca de 9% dos inquiridos dizem-se indecisos sobre o seu sentido de voto.

Esta sondagem consultou uma amostra de 1.734 pessoas entre 15 e 16 de junho. A morte da deputada Jo Cox ocorreu a 16 de junho, levando à suspensão da campanha (que é retomada este domingo). Dois terços das respostas chegaram já depois da morte de Cox. Mas os responsáveis pela sondagem afirmam que são, sobretudo, os receios em relação ao impacto económico de um eventual Brexit que estão a influenciar as intenções de voto.

Uma outra sondagem divulgada este fim de semana foi a da Opinium/Observer, também a última consulta antes do referendo. Nesta sondagem, o Leave e o Remain aparecem com 44% cada uma, com 10% de indecisos. As intenções de voto foram recolhidas através da Internet, junto de mais de duas mil pessoas.

Cameron e Osborne lembram que não há volta atrás

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o titular das Finanças, George Osborne, intensificaram as suas advertências contra o voto pelo ‘Brexit’, à aproximação do referendo europeu, marcado para quinta-feira, em declarações publicadas hoje por vários jornais ingleses.

Abandonar o bloco comum porá em risco a prosperidade do Reino Unido, é o argumento usado por ambos os políticos, quando faltam apenas quatro dias para o referendo de dia 23, em que os cidadãos decidem sobre a continuidade britânica no grupo dos “28”.

As campanhas para o referendo, a favor e contra a saída do Reino Unido da União Europeia, recomeçam hoje, depois de terem sido suspensas após o assassínio, na passada quinta-feira, da deputada trabalhista pró-europeia Jo Cox, de 41 anos, que foi baleada por um homem com alegados problemas mentais e ligações à extrema-direita.

Após o trágico acontecimento, que deixou o Reino Unido em choque, Osborne disse ao tabloide Mail On Sunday estar confiante de que o que resta do debate possa ser feito “num tom menos divisório”.

“Tenhamos menos retóricas incendiárias e discursos sem fundamento, e mais factos e argumentos sustentados”, pediu o ministro.

Por seu lado, em declarações divulgadas hoje pelo Sunday Telegraph, Cameron alertou que o país enfrenta uma “opção existencial” sem “volta atrás” no próximo dia 23.

Segundo o primeiro-ministro britânico, a economia será abalada se triunfar o ‘Brexit’ e o comércio e o investimento vão ressentir-se.

Além disso, abandonar a UE colocará o país numa “provável recessão” que deixará o Reino Unido “mais pobre de forma permanente”.

“Se não estão seguros, não assumam o risco de sair. Se não conhecem, não vão. Se avançarmos e rapidamente nos dermos conta de que foi um grande erro, não poderemos mudar de ideia e ter outra oportunidade”, alertou.

Num outro artigo separado publicado no Sunday Times, Cameron criticou o ministro da Justiça, Michael Gove, e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson — ambos apoiantes do ‘Brexit’ na campanha -, por incentivar os eleitores a rejeitar os conselhos dos peritos económicos, como os do Fundo Monetário Internacional (FMI), sobre as consequências da saída da UE.