O Comité Olímpico Internacional convocou para esta terça-feira, em Lausana, Suíça, uma cimeira para avaliar “a situação dos países considerados incumpridores pela Agência Mundial Antidopagem (AMA) por razões do funcionamento não eficiente do sistema nacional antidoping“. Num comunicado de imprensa, o organismo explica que “vai iniciar novas medidas de longo alcance, a fim de garantir a igualdade de condições para todos os atletas que participam nos Jogos Olímpicos Rio 2016″. Entre os países cujos atletas podem estar ameaçados de ficar de fora das Jogos estão a Rússia, México, Espanha e Quénia.

No caso da Rússia, o problema pode ser profundo. A Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) anunciou, esta sexta-feira, a manutenção da suspensão da Federação Russa de Atletismo (ARAF) das competições internacionais, o que envolve a presença do país na modalidade durante a competição, em agosto.

O presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Craig Reedie, admitiu esta segunda-feira, numa conferência internacional da entidade, em Londres, a possibilidade de estender a todos os desportistas russos a proibição de participarem nos Jogos Olímpicos Rio 2016 caso o relatório elaborado por uma agência independente “indique a existência de transgressões”.

Se relatório indicar transgressões de qualquer tipo, então haverá uma oportunidade para estabelecer um precedente para demonstrar o nosso compromisso coletivo para limpar o desporto. O mundo está a olhar para nós”, assegurou.

Já para México, Espanha e Quénia, a ameaça é mais subtil.

Nós próprios temos visto evidências sobre este novo e robusto processo de cumprimento [de regras antidopagem] através do trabalho que temos feito em encorajar países como Quénia, Espanha e México para se tornarem plenamente compatíveis com o Código [Mundial de Antidopagem]. Rigorosos e compatíveis programas antidoping e sanções graves são o que os atletas ‘limpos’ esperam ver para que possam voltar a sua atenção para os Jogos do Rio; é o que nós no antidoping, estamos focadas em fazer”, garantiu.

Tanto a Espanha como o México suspenderam, este ano, a acreditação de laboratórios para a coleta de sangue e urina de atletas, de modo a cumprir as regras exigidas pela Agência Mundial Antidopagem. Quénia criou em maio um nova legislação para o uso e controlo de substâncias pelos seus atletas, após alertas de sanções dados pelo organismo.

Ainda na conferência internacional da AMA, Reedie comentou a importância do programa de monitoramento independente da agência para “elevar os padrões de controlo de dopagem” em todas as confederações de desporto do mundo. “O programa independente, que foi introduzido em 2015 no Código Mundial Antidopagem, está agora a ser utilizado em pleno efeito. Ele garante que as regras de cada organização antidoping sejam totalmente compatíveis com o Código; e que, como resultado, todos os atletas estejam sujeitos a regras antidoping da mais alta ordem, não importa o seu desporto ou país”, explicou.

Reedie defendeu ainda os esforços feitos pela AMA no controlo de dopagem de atletas. “Seja por iniciar uma investigação independente, por reforçar o nosso encorajamento para mais atletas e técnicos apresentarem informações valiosas ou através da adoção de procedimentos de avaliação de qualidade mais rigorosas para garantir que os laboratórios mantenham os mais elevados padrões, temos tomado ações coletivamente para ajudar a nivelar o campo de jogo para cada atleta que compete no Rio”, acrescentou.