Cerca de uma centena de voluntários do Banco Alimentar Angola recolheram no fim de semana sete toneladas de alimentos doados pela população em grandes superfícies de Luanda, mais 16 por cento face à última campanha.

Os números, ainda preliminares, foram avançados esta segunda-feira à Lusa por Henrique Nunes, fundador do Banco Alimentar Angola e coordenador desta quarta campanha de recolha de alimentos por parte daquela instituição, que decorreu em 10 grandes superfícies comerciais do centro e arredores de Luanda.

“Agradecemos a todos os voluntários, a maioria pela primeira vez nestas lides, que deram o seu melhor e assim fizemos aumentar em 16% a arrecadação em quilos [face às 5,1 toneladas da campanha de novembro], mas mais de 70% em valor monetário, não esquecendo todos os doadores alguns que já de forma automática recebem o saco e o enchem”, sublinhou o responsável, em declarações à Lusa.

No total, nas contas já efetuadas pelo Banco Alimentar Angola, foi possível recolher nos dois dias da campanha um total de 7.094 quilogramas de alimentos, apesar da forte crise no país.

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“Recebemos por exemplo mais massa que arroz na primeira análise, simples, numa amostragem em cerca de 800 quilogramas”, disse ainda, recordando que alguns produtos, devido à crise e forte inflação no país, chegaram a duplicar de preço no último ano.

Para as duas campanhas de recolha de alimentos previstas para 2016 (junho e novembro) pelo Banco Alimentar Angola, a instituição teve de encomendar fora do país 20.000 sacos plásticos, já que desde outubro de 2015 que o fornecedor local não conseguia fazer a entrega.

“Esta campanha, considerando os tempos difíceis, foi um sucesso”, enfatizou Henrique Nunes.

A conjuntura económica angolana, devido à crise provocada pela quebra das receitas com a exportação de petróleo, já se refletiu na recolha anterior, realizada no final de novembro de 2015, que angariou então pouco mais de 5,1 toneladas de alimentos, menos 37% face a 2014, apesar da presença em mais superfícies.

A distribuição dos alimentos recolhidos será feita a partir desta segunda-feira, através de instituições de solidariedade social identificadas pelo Banco Alimentar como certificadas para avaliarem a real situação de carência alimentar das pessoas objeto da sua assistência.

Beneficiam deste apoio o Centro de Acolhimento de Crianças Arnaldo Jansson, a Associação de Amizade e Solidariedade para com a Terceira Idade, o Centro de Acolhimento de Meninas Horizonte Azul, o Centro da Nossa Senhora da Boa Nova, o Centro Social Santa Bárbara, Obra Dom Bosco e a Obra Divina Providência.