Luís Marques Mendes diz que a realização de uma comissão de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) é uma “questão de coerência”. E não só. “É uma questão de combater a impunidade e ter alguma moralidade”, afirmou o ex-líder do PSD, referindo-se às comissões de inquérito já feitas a bancos privados, como foram os casos do BPN, do Banif ou do BES. “É preciso restaurar a confiança no banco público e a confiança não se restaura com o secretismo, com sombras e ocultação de informação, mas com base na verdade e no esclarecimento”.

No comentário semanal que faz na SIC ao domingo, o social-democrata apoiou a iniciativa do líder do seu partido, Passos Coelho, que, segundo ele, vai finalizar esta segunda-feira o requerimento para a realização da comissão de inquérito. “Acho que o PSD fez bem em avançar com esta proposta”, referiu. “Foi muito estimulado pela opinião pública e publicada”, acrescentou.

A situação da CGD, defendeu, deve ser esclarecida como foi a de outros bancos privados, também alvos de comissão de inquéritos. “Os portugueses pagam a fatura, ao menos que saibam a verdade”, disse. E acrescentou que esta investigação reforçava a nova administração.

“Há um buraco enorme criado ao longo de anos. Têm de entrar milhões de euros. Se há um buraco, perguntam as pessoas, é porque houve decisões erradas. Se há decisões erradas, há responsáveis. E a impunidade não pode fazer o seu caminho e a culpa não pode morrer solteira”.

A jornalista Clara de Sousa confrontou o comentador com opiniões de vários ex-ministros das Finanças que são contra a um possível comissão de inquérito à CGD por considerarem que traria consequências negativas para o banco público. Luís Marques Mendes considerou ser uma “visão completamente errada”. “Por serem ex-ministros que tutelaram a CGD, é mais uma razão para defenderem um esclarecimento e uma investigação. Quem não deve não teme”. Em relação à oposição dos responsáveis do PS ao inquérito parlamentar, Marques Mendes disse que “dá a sensação de que devem estar aflitos com a investigação”, disse.

Quanto à polémica em torno de Marcelo de Rebelo de Sousa e sobre uma eventual tomada de posição quanto à comissão de inquérito, como o Observador noticiou, Marques Mendes considera que o Presidente da República agiu “corretamente”. O social-democrata não concorda que um inquérito possa vir a trazer uma má imagem à CGD. Pelo contrário, poderá denunciar “más práticas” que podem vir a ser corrigidas pelos seus administradores.