A um mês de o Partido Republicano se reunir em convenção para decidir quem será o candidato às eleições presidenciais de novembro, Donald Trump despediu o diretor de campanha que o trouxe até à (quase) nomeação. Segundo algumas pessoas da entourage do candidato, o despedimento de Corey Lewandowski já estava a ser pensado há algum tempo, sobretudo desde que se tornou mais ou menos claro que Trump vai ser mesmo o candidato republicano à Casa Branca.

Donald Trump está a ser pressionado em várias frentes. Entre os apoiantes há a perceção de que o candidato bilionário tem de mudar rapidamente de discurso para poder fazer frente a Hillary Clinton. Ao The New York Times, um responsável da campanha disse que a prioridade agora passa por unir o Partido Republicano em torno da candidatura de Trump e melhorar a relação com os meios de comunicação social. Corey Lewandowski ter-se-á incompatibilizado com inúmeros jornalistas e também com membros do partido nos últimos meses, o que levou mesmo algumas pessoas da campanha a celebrarem a sua saída.

Mas a tarefa de unir o Partido Republicano poderá revelar-se difícil. Depois do ataque terrorista a uma discoteca gay de Orlando, Donald Trump voltou à habitual retórica anti-imigração e, especialmente, anti-muçulmana. Esse discurso foi recebido com inquietação por alguns destacados responsáveis republicanos, que optaram por deixar o candidato a falar sozinho. Outros, como dois senadores ouvidos pelo The Guardian, fizeram críticas explícitas às propostas de Trump, argumentando que impedir os muçulmanos de entrar nos Estados Unidos não vai resolver o problema do terrorismo.

Por outro lado, Donald Trump parece contar com a oposição do mais destacado responsável político do Partido Republicano. No domingo, Paul Ryan, líder da Câmara dos Representantes e o homem que vai presidir à convenção partidária de julho, deixou a porta aberta a uma possível rebelião dos delegados. “Eles é que tomam as decisões. Eu quero é garantir que é tudo feito em cima da mesa, às claras, honestamente e pelas regras”, disse o responsável numa entrevista à cadeia de televisão norte-americana NBC.

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Consciente de que o partido está extremamente dividido e de que há tentativas mais ou menos explícitas de parar Trump na convenção, Paul Ryan disse ainda que não se quer meter no caminho de ninguém. “Não vou dizer a ninguém que vá contra as suas convicções”, afirmou, para mais tarde deixar ainda mais claro que gostaria que Trump moderasse o seu discurso.