A localidade chinesa de Yulin, na província de Guangxi, sudoeste da China, prepara-se para o “Festival de Carne de Cão”, que começa esta terça-feira, apesar dos insistentes protestos de organizações amigas dos animais.

Milhares de cães serão sacrificados como parte de um ritual que todos os anos se cumpre naquela localidade, no solstício de verão, e que as petições online classificam como espetáculo bárbaro e cruel.

Segundo descreveu a agência espanhola EFE, no mercado local de Dashichang vários ativistas conseguiram ainda libertar alguns dos cães enjaulados.

No conjunto, a organização Humane Society Internacional (HSI) conseguiu resgatar, até hoje, 54 cães e gatos, escreve a agência.

Peter Li, da HSI, citado pelo El País, afirma que “as autoridades estão claramente nervosas e advertiram os comerciantes de cães e gatos para não falarem connosco, além de pedirem aos seus funcionários que se mantenham longe destes restaurantes”.

Nos últimos anos, vendedores de carne de cão e ativistas chegaram a entrar em confronto e hoje alguns restaurantes e vendedores optaram por esconder os cartazes onde anunciam a sua “especiaria”.

No mercado de Dongkou, onde se vende a carne já depois de morto o animal, o ambiente é semelhante a outros mercados ao ar livre da China.

Porém, é ainda possível identificar os cães, esfolados ou queimados, pendurados em ganchos pela boca e preparados para serem cortados e servidos aos clientes.

O festival é controverso não só por servir carne de cão – comum a muitos países da Ásia – mas pela origem dos animais: a Fundação de Animais da Ásia estima que a maioria eram cães vadios ou domésticos que foram roubados aos donos.

“O cumprimento da lei é da responsabilidade do Governo chinês, mas até agora as autoridades têm ignorado. Por isso, os ativistas chineses optam por ir até às estradas e bloquear a passagem de camiões carregados de cães obtidos de forma ilegal”, escreveu a HSI em comunicado.

Este ano, as autoridades puseram barreiras nas vias de acesso ao município, respondendo ao apelo de algumas destas organizações, mas os ativistas pedem “uma ordem para encerrar definitivamente os matadouros”.