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PSD e CDS não recuam um centímetro na intenção de avançar com uma comissão de inquérito potestativa à gestão da Caixa Geral de Depósitos. No Parlamento, Luís Montenegro garantiu que o objetivo dos dois partidos “não é nem fragilizar, nem enfraquecer a Caixa”, antes apurar “as necessidades de recapitalização da Caixa, da dimensão dessas necessidades e a origem dessas necessidades”.

“O Parlamento e o país não podem ser considerados como estão a ser pelo atual Governo e pela atual maioria como uma verdadeira conservatória do registo civil. O Governo negoceia, formaliza o negócio jurídico com os órgãos da União Europeia e depois vem ao Parlamento registar o que foi feito como facto consumado. Os portugueses têm direito a saber a verdade”, afirmou o líder parlamentar do PSD, numa conferência de imprensa que contou também com a presença de Adolfo Mesquita Nunes, do CDS.

PSD e CDS formalizaram esta segunda-feira o pedido de criação de uma comissão de inquérito do banco público. “[É necessário] apurar as práticas da Caixa Geral de Depósitos no domínio da concessão e gestão de créditos” desde o ano 2000 — período após a decisão entrar na zona Euro.

Os dois partidos querem também apreciar a atuação dos órgãos societários da Caixa, “incluindo a administração, a fiscalização e auditoria, dos Governos e dos supervisores financeiros” nos últimos anos.

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Luís Montenegro não deixou de rejeitar as críticas apontadas pelo Bloco de Esquerda, que acusou os sociais-democratas de querem restringir o objeto da comissão de inquérito. “Afinal de contas, o Bloco, esse sim, pretendia um objeto mais restrito”.

O líder parlamentar do PSD notou que a posição do Bloco em relação ao modelo de investigação proposto para a Caixa é substancialmente à solução proposta para o Banif — os bloquistas rejeitaram a realização de uma auditoria forense ao banco, como defendia o PSD. “Achamos muito curioso que aqueles que rejeitaram uma auditoria externa ao Banif venham agora pedir [o mesmo para a Caixa]”.

Nessa linha, Montenegro anunciou que os sociais-democratas e democratas-cristãos vão avançar, no Parlamento, com um projeto de resolução à Caixa e ao Banif, como uma forma de obrigar o Bloco a tomar uma “posição coerente” em relação às investigações.