Santa Casa de Lisboa

Santana junta socialistas para mostrar obra em Lisboa

Misericórdia de Lisboa e Governo assinaram o protocolo para a nova unidade de cuidados de saúde continuados, orçada em 10 milhões, que Santana quer ter pronta no final de 2017. Tempo de autárquicas?

Os dois ministros do Governo PS e o provedor da Santa Casa trocaram elogios sobre a "aliança estratégica"

INÁCIO ROSA/LUSA

Conseguiu aqui uma espécie de geringonça? Pedro Santana Lopes responde com uma gargalhada à questão do Observador sobre o protocolo assinado esta segunda-feira entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e o Governo para o novo Hospital da Estrela, que juntava na mesma sala dois ministros do Governo PS (Segurança Social e Saúde) e ainda uma ex-ministra também socialista (Ana Jorge que coordena a Unidade de Missão para o projeto). O provedor da Misericórdia lisboeta esquiva-se a comentar, porque sabe o que vem a seguir. É capital político importante para quem se quer candidatar à Câmara de Lisboa [no seu caso até é recandidatar]?, insiste o Observador. Novo sorriso, mais contido, com o social-democrata a dizer apenas que tem “de ir despedir-se dos ministros”. Não queria mesmo tocar no assunto, apesar de saber que o palco era demasiado sugestivo.

Até ao final de 2017, Santana Lopes quer ter a funcionar o novo hospital (no espaço do antigo Hospital Militar) de cuidados intensivos continuados de Lisboa. O protocolo com o Governo foi assinado no espaço que a Santa Casa de Lisboa adquiriu por 15 milhões de euros, em julho do ano passado. Ninguém sabe se ainda será Provedor na altura — o mandato só termina em 2019, mas já admitiu estar a “pensar” sobre uma recandidatura à Câmara de Lisboa (as eleições são no ano que vem), dizendo mesmo ao semanário Sol: “Não devemos decidir levianamente nem o sim nem o não”. Esta seria uma obra forte para qualquer candidato apresentar, mas Santana evita a relação entre as duas coisas. Quando foi diretamente questionado atirou um “até logo” e saiu.

A geringonça de Santana

A transformação do antigo hospital e a nova unidade exigem a colaboração com o Governo socialista, num “modelo de intervenção integrado que pressupõe estreita colaboração entre o setor da saúde e o do apoio social”, explicou o provedor. Um entendimento que, para o social-democrata Pedro Santana Lopes, “não faz sentido não haver. Faz sentido que os governos estejam despertos para a força que a Santa Casa tem e o papel que pode desempenhar em matéria de cuidados continuados”.

A troca de elogios entre as partes, durante toda a cerimónia, foi intensa. Foi Santana quem começou, afirmando que se há área “que este Governo tem dado atenção e prioridade é do desenvolvimento da rede de cuidados de continuados de excelência, integrada no Serviço Nacional de Saúde”. E triplicou a adjetivação da colaboração entre as três entidades: “Estreita, solidária e inovadora”.

Adalberto Campos Fernandes, ministro da Saúde, chamou-lhe “conjugação virtuosa” e “aliança estratégica em torno dos que mais precisam“. E o seu colega da Segurança Social, Vieira da Silva, reconheceu o empurrão que o projeto dá aos objetivo do Governo: surgirão 78 novas camas para cuidados continuados, “uma parte significativa daquele que é o acréscimo previsto para a rede dos cuidados continuados integrados no espaço desta legislatura. Este contributo é duplamente interessante”.

Antes dele, Santana tinha agradecido outro empurrão: “Lançámos a primeira pedra para que Lisboa fique mais rica em termos de assistência e eficácia social. É com alegria que agradeço aos senhores ministros a confiança na Santa Casa e sublinho o empenho neste protocolo e neste caminho”. Mas Vieira da Silva também disse que a participação “empenhada e significativa” da Santa Casa “só é de estranhar que não tenha acontecido mais rapidamente. Integra, como poucas instituições, esta dupla valência da saúde e da proteção social, seria obviamente incompreensível que não houvesse esta cooperação“.

Santana havia de responder mais tarde, já depois de os ministros terem saído: “A Santa Casa andou à procura de um edifício durante anos. Queríamos a MAC, que esteve para fechar, mas não foi possível. Agora vai andar”, garante quando estão “reunidas todas as condições”. Incluindo a do “esforço financeiro elevado”, apesar de nesta altura existir ainda apenas uma estimativa inicial, de 10 milhões de euros. Só depois do desenvolvimento dos projetos e do licenciamento é que haverá uma estimativa mais aproximada, que deverá ser mais elevada do que a inicial, e que já constará no concurso público internacional para a empreitada. Mas Santana já pede “uma gestão rigorosa, coerente e de acompanhamento”, que evite “desvios orçamentais logo no lançamento”. Um alerta para a Unidade de Missão do Hospital da Estrela, que está sob coordenação da ex-ministra do PS, Ana Jorge.

O projeto arranca numa área de mais de 17 mil metros quadrados, onde será construído um edifício da unidade, outro para cuidados continuados e paliativos de pediatria, e outro para psiquiatria. Terá 12 pisos e 78 camas, em dez quartos individuais e 34 duplos. Terá bloco de cirurgia, ginásio para reabilitação física dos pacientes e um espaço de culto. O Provedor da Santa Casa prevê que “trará emprego a cerca de 600/700 pessoas”. Se tudo correr bem, a obra estará pronta por altura das autárquicas. “Até logo”.

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