O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considerou esta terça-feira que o ‘Brexit’ seria uma “automutilação” para os britânicos, a dois dias do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia (UE).

“Virar as costas aos vossos vizinhos e optar pelo isolamento iria contra tudo o que a Europa e o Reino Unido representam, partir seria um ato de automutilação”, disse Juncker num discurso perante o patronato grego, durante uma visita a Atenas.

“Muitas vezes tomamos por adquirido o que construímos, a paz (…) a liberdade (…) a prosperidade (…) e um modo de vida que o mundo inteiro nos envia”, disse, revelando que esta construção europeia não poderia “ter sido feita sem o povo britânico”.

“Deixar a União Europeia colocaria tudo em perigo. Prejudicaria todo o que conseguimos até agora e diminuiria o que podemos esperar amanhã”, assinalou.

“A Europa é mais forte unida: somos mais fortes quando juntamos as nossas forças, mais seguros quando nos protegemos mutuamente, mais prósperos quando comerciamos em conjunto”, insistiu.

O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, que o precedeu na tribuna, referiu por sua vez que um ‘Brexit’ “conduziria a UE para turbulências”.

Independentemente do resultado do referendo “devemos admitir que a Europa atravessa uma crise política”, acrescentou o único dirigente da esquerda radical na Europa, atribuindo-a às “receitas de austeridade” aplicadas pela UE face à crise económica.