O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, admitiu esta terça-feira recear que não sejam atingidos os objetivos para o recrutamento nas Forças Armadas até ao final do ano, afirmando que os números até ao momento “não são animadores”.

Questionado na comissão parlamentar de Defesa pelo deputado do CDS-PP João Rebelo, o ministro referiu uma “conjugação diabólica de circunstâncias” gerou um défice acumulado que dificilmente será colmatado no corrente ano.

“Não acredito (…) vejo com dificuldade que estes números sejam recuperados do ponto de vista de atingir os 6110 RC [Regime de Contrato, com duração de seis anos] e RV [Regime de Voluntariado, com duração de um ano] que estavam previstos para este ano”, afirmou.

João Rebelo começou por referir que o objetivo para 2016 é recrutar 5700 militares nos dois regimes e, para o quadro permanente, 666 militares, totalizando cerca de 6.400 militares em falta.

O deputado democrata-cristão questionou o ministro sobre se estão a ser atingidos os objetivos e se estão pensadas medidas adicionais para responder às necessidades de pessoal dos ramos caso os números não sejam atingidos.

Azeredo Lopes referiu que a “descapitalização brutal que ocorreu nos últimos anos nesta área com números dramáticos e a diminuição da base de incidência de recrutamento” teve como consequência “um défice” que dificilmente será colmatado.

Quanto a medidas, Azeredo Lopes disse que o ministério “desenvolveu processos de comunicação e de divulgação do recrutamento minimamente centralizados” com o objetivo de “dar visibilidade às oportunidades que existem”, frisando a autonomia de que gozam os ramos nesta área.

Azeredo Lopes disse ainda que “está em ponderação uma questão velha” referindo-se à possibilidade de criar contratos com uma “duração mais alargada”, tendo em conta não só as necessidades dos ramos mas também “tendo em conta que em determinadas áreas as pessoas gostariam de continuar por mais algum tempo”.

O ministro assegurou que faria o ponto da situação sobre a adesão aos concursos no próximo mês, admitindo que “o recrutamento está a ficar uma questão estrutural”.

“Os números não são nada animadores, mas o fim do ano letivo permite antever com mais otimismo os próximos processos de recrutamento”, ressalvou, indicando que “tradicionalmente há um reforço da procura quando o ano letivo já acabou”.