A New Scientist chama-lhe o referendo “mais irracional” da história. Ora, quando a irracionalidade começa a funcionar, entram em ação as hormonas, os sentimentos e as emoções em ebulição. E é aqui que o Brexit se torna uma questão a merecer análise científica, diz a publicação.

Ficar ou não ficar na União Europeia? A questão tem levantado vozes pelo “sim”, vozes pelo “não” e muitas vozes que não sabem bem o que gritar. E é esta mistura de “incerteza em relação ao futuro” e de “informação política contraditória” que vai resultar em respostas ao referendo mais baseadas “em emoções ou preconceitos” do que em raciocínios lógicos, avisa a revista. Houve mesmo investigações que provaram que muita gente não sabe quais são as consequências da saída da UE para o país, o que vai mudar ou que alterações vai a economia sofrer.

“Os inquéritos que fizemos mostram que o conhecimento sobre o que significa a presença do Reino Unido na UE é muito baixo”, explica o académico John McCormick. “Para uma grande parte das pessoas, vai ser um voto aleatório”, diz. Assim, para McCormick, as pessoas não vão votar com base nos prós e contras da saída da UE mas sim segundo “aquilo que acham da imigração ou sobre o feeling que têm em relação a David Cameron ou Boris Johnson”.

Esta forma de agir tem um nome científico: é um atalho cognitivo chamado “status quo bias” (tendência para o status quo). É a ação que ativamos perante uma informação incerta ou decisiva. Neste caso, é a tendência de as pessoas que não estão tão ligadas à política ou que estão “confusas” quanto ao que vai acontecer de votarem contra a mudança, como a opção “mais segura”. Se esta for a tendência mais prevalecente nos britânicos, então o Reino Unido ficará na União Europeia. E tudo ficará como está.