O herdeiro da maior empresa de infraestruturas do Brasil, Marcelo Odebrecht, vai alegar que controlou as transferências ilegais de dinheiro nas duas campanhas eleitorais da Presidente afastada, Dilma Rousseff, noticia o jornal Folha de S.Paulo.

O jornal afirma que a revelação faz parte de um termo de cooperação que a Odebrecht está a negociar com a Justiça brasileira em troca da redução da pena de Marcelo Odebrecht, já condenado por envolvimento nos esquemas de corrupção da petrolífera estatal Petrobras.

A notícia avança que o ex-presidente da Odebrecht alega que chegou a dizer pessoalmente à chefe de Estado em maio de 2015, num encontro no México, que os investigadores estavam perto de descobrir os pagamentos ilícitos no exterior que a construtora fez a João Santana, consultor do Partido dos Trabalhadores (PT), a formação política de Dilma Rousseff.

Marcelo Odebrecht está preso há mais de um ano e já foi condenado a cerca de 20 anos de prisão por envolvimento nos crimes na petrolífera brasileira.

No seu acordo com a Justiça, Marcelo Odebrecht também afirma não considerar crime os pagamentos ilícitos realizados pela sua empresa aos políticos brasileiros em troca de vantagens nos contratos da Petrobras, já que o sistema de “saco azul” eleitoral fazia parte da cultura política do país.

Instada pela Folha de S.Paulo a comentar a alegação, a assessoria de Dilma Rousseff confirmou o encontro, mas negou que doações e pagamentos ilícitos a João Santana foram tratados naquela conversa.

No seu comunicado, a assessoria frisou que “todos os pagamentos pelos serviços prestados da campanha de reeleição, inclusive a João Santana, foram feitos dentro da lei e declarados à Justiça Eleitoral”.

A Presidente brasileira foi suspensa no passado dia 12 de maio do cargo pelo Senado (câmara alta parlamentar) acusada de ter cometido crimes fiscais. O processo continua a correr os trâmites judiciais e Dilma Rousseff pode ser destituída em agosto.

Mesmo que o processo contra Dilma Rousseff no Senado não leve em conta supostas irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato, o envolvimento de pessoas ligadas a ela e ao PT nestas denúncias de corrupção foram fundamentais para a sua perda de popularidade e suspensão do cargo.