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Gilberto Crombé é líder executivo da MultiLam e chairman da Organização de Empreendedores (EO), uma rede internacional com 12.000 membros que reúne alguns dos mais importantes fundadores e líderes de empresas de todo o mundo. À margem da conferência Building Global Entrepeneurs, que decorreu esta segunda-feira na Universidade Católica de Lisboa, o empreendedor de origem mexicana disse ao Observador que vê uma grande dinâmica de “inovação e empreendedorismo” na cidade e no país, e acrescentou que, neste momento, “a Europa vê em Portugal uma oportunidade de investimento”.

Portugal tem uma grande oportunidade pela frente. Acho que, depois de ter passado por tempos difíceis, há vários anos, a tendência agora está a ser melhorar todos os meses. Acho que há uma excelente dinâmica de inovação e empreendedorismo na cidade [Lisboa] e no país. E acho que há dinheiro disponível, há capital para ser investido em Portugal. Vejo que a Europa está a olhar para a Portugal como uma oportunidade de investimento”, afirmou o chairman da EO.

Para aproveitarem essa oportunidade, os empreendedores portugueses devem “ter competências e um plano de negócio que lhes permitam arranjar investidores estrangeiros e tornarem-se players [intervenientes] internacionais”, defendeu o responsável. Já para a Europa, no seu todo, “um bom desafio passa por ter os empreendedores envolvidos em grandes empresas, e vice-versa, para que possam trabalhar juntos e também ir para fora, levarem o conhecimento e toda a competitividade europeia” para outros territórios.

Gilberto Crombé, 2016, start up,

Gilberto Crombé é líder executivo da MultiLam

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“O futuro da criação de emprego passa pelo empreendedorismo”

Portugal é o último país a juntar-se à EO, uma organização que tem redes de empreendedores espalhadas por 159 cidades de 51 países. A rede nacional foi criada em junho e conta atualmente com 16 membros — entre os quais Miguel Santo Amaro, líder da Uniplaces, e Pedro Janela, líder do WYGroup.

Para Gilberto Crombé, o empreendedorismo é o “futuro” da criação de emprego. “Atualmente, a criação de empregos no mundo passa pelo empreendedorismo. Neste momento, não vemos as grandes empresas a criar mais de 25 por cento. Quando 75% do emprego está a ser criado por empresas empreendedoras”, acrescentou o líder da organização cujas redes empregam mais de dois milhões de pessoas no mundo e faturam mais de 470.000 milhões de euros por ano.

As grandes empresas também estão a inovar, mas as que estão a crescer mais são as empreendedoras. Posso dar vários exemplos: a Uber tem crescido tanto no último ano, a Amazon é a maior retalhista do mundo e não tem uma única loja [física]. Está tudo nas pessoas, no sistema, na tecnologia. Daí que ache que a criação de emprego está a ser feita pelas empresas empreendedoras. E não temos de ir a exemplos de tão grande sucesso. Cada empreendedor precisa de pessoas para trabalharem no sonho que tem, portanto é criação de emprego instantânea. Em vez de um estudante precisar de um emprego, vai criar três, quatro, cinco, pelo menos, logo no primeiro ano”, diz.

As grandes empresas, contudo, “também vão beneficiar” do crescimento das startups, garante. “Vejam como as grandes empresas estão a comprar muitas startups e estão a procurar crescer adquirindo empresas de empreendedores”, nota. Aos empreendedores, Gilberto Crombé deixa um conselho: “sejam claros e transparentes com as pessoas que convidam para tornar o vosso sonho realidade”.

Numa fase inicial, tudo depende do empreendedor, não necessariamente do negócio. Depende da pessoa, do quão disciplinado o empreendedor é, do quão transparente e inclusivo é na relação com a sua equipa, de como cria uma rede de contactos — com os mentores, por um lado, e com organizações como a EO, por outro, que o ajudam a angariar capital e a continuar a crescer. Também é importante ter um plano de negócio claro. E, claro, ser paciente: se falhares, isso faz parte do processo, significa que estás um passo mais próximo de atingir o sucesso, porque os empreendedores têm de ter a capacidade de se levantarem e continuarem”, explica.

Em Portugal, “talvez cheguemos aos 100 membros em três anos”

Gilberto Crombé, 2016, start up,

Entre as parcerias que a EO pensa estabelecer em Portugal, uma delas poderá ser com a Universidade Católica

Para Gilberto Crombé, a criação de uma rede portuguesa associada à Organização de Empreendedores (EO) poderá ter um impacto significativo na região, a começar pela criação de uma rede de contactos entre empreendedores nacionais e internacionais (que lhes trará oportunidades acrescidas) e a acabar na relação que a EO estabelecerá com o ecossistema empreendedor português.

Temos vários programas em que trabalhamos com pessoas fora da EO e trabalhamos com as universidades”, diz. Um deles é o Global Student Entrepreneur Awards, uma iniciativa que põe “estudantes que já são empreendedores” de cada país a competirem entre si, havendo depois uma competição global entre estudantes dos vários países que pertencem à Organização. “E temos ainda um programa de aceleração para empreendedores emergentes, que tenham vendas estimadas em entre 250.000 e 400.000 dólares — ajudamo-los a chegar a um milhão de dólares em vendas”, explica Gilberto Crombé.

Com o crescimento da rede nacional, esses programas poderão chegar ao país, acrescenta o responsável. Esse crescimento, contudo, depende sempre dos membros da EO Portugal, porque “cada rede tem alguma autonomia” e “são os membros que decidem se querem crescer mais rápido ou mais devagar — depende do tempo que voluntariamente dedicarem” à expansão do seu chapter, explica. Até porque, apesar de a EO ter um staff de 100 pessoas a trabalhar para a organização, “são os membros que a lideram — localmente, regionalmente e até globalmente. Eu próprio sou o chairman e sou um membro”.

Em Portugal, Gilberto Crombé espera ter uma rede “com 50 empreendedores no próximo ano” e “talvez 100 em três anos”. Já em patrocínios conta ter “três ou quatro parcerias” com universidades e organizações nacionais.

Podemos ter parcerias com escolas — a Católica, por exemplo. Podemos ter parceiros no país, porque quando o país está com uma forte dinâmica empreendedora e quer crescer muito, as organizações podem ajudar-se umas às outras. Acho que temos uma grande oportunidade aqui em Portugal, especialmente face ao crescimento que antevemos para o futuro. Vejo muita coisa para acontecer”, afirma ainda.