Duas novas exposições vão ligar o passado e o presente das coleções de arte da Fundação Calouste Gulbenkian a partir de quinta-feira, traçando pontos de contacto e diálogos ao longo de 120 anos de aquisições.

A nova diretora do Museu Gulbenkian, Penelope Curtis, disse esta quarta-feira aos jornalistas, durante uma visita guiada às exposições “Linhas do Tempo” e “Convidados de Verão”, que o desenho da apresentação das obras teve por base a celebração dos 60 anos da criação da Fundação Gulbenkian, em 1956.

É este aniversário que a entidade vai festejar a partir de quinta-feira com uma programação cultural da qual fazem parte as exposições, cuja inauguração marcará também o fim da designação Centro de Arte Moderna (CAM), com a apresentação de um único Museu Gulbenkian separado pela Coleção do Fundador e a Coleção Moderna.

A exposição “Linhas do Tempo – As Coleções Gulbenkian. Caminhos Contemporâneos” reúne na galeria principal da sede cerca de 160 obras, num diálogo entre a Coleção do Fundador, adquirida por Calouste Sarkis Gulbenkian (1869-1955) e a Coleção Moderna, constituída após a sua morte, formada por obras do século XX até à atualidade.

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“A pergunta que me coloquei foi: como fazer uma exposição de aniversário que fosse interessante? E ao olhar para ambas as coleções, a do fundador e a moderna, encontrámos muitas ligações interessantes, como por exemplo, a paisagem”, apontou.

Esta mostra, que terá entrada gratuita, gira em torno de uma data – 1956 -, recuando e avançando 60 anos de modo a estabelecer diferentes linhas de tempo (1896-2016), “onde as pontes, os encontros, as datas e as circunstâncias artísticas e históricas das coleções se vão manifestando”.

Percorrendo o espaço, o visitante vai encontrar obras de arte de várias épocas, desde pintura, escultura, fotografia, ourivesaria, desenho, maquetes, livros, e revistas de moda.

Os diálogos foram estabelecidos entre peças de épocas desde o século XVIII às primeiras décadas do século XX, com a ligação no facto de terem sido adquiridas por Calouste Gulbenkian na mesma altura.

Exemplo disso é uma mesa ao estilo do século XIII lado a lado com uma mesa desenhada pelo arquiteto modernista Alvar Aalto, adquiridas numa época em era vulgar a conjugação de ambos os gostos, do mais conservador ao mais moderno.

Ou então uma pintura da artista portuguesa contemporânea Lourdes Castro colocada em frente de um mostruário com desenhos criados pelo mestre joalheiro francês René Lalique, nascido no século XIX.

“Ao observar a data da aquisição das várias peças, fomos percebendo que Gulbenkian era um homem mais moderno do que se pensa, e o seu gosto teve influência nas aquisições que foram feitas após a sua morte”, comentou Penelope Curtis.

Muitas das obras desta exposição – com curadoria de Penelope Curtis, João Carvalho Dias e Patrícia Rosas Prior – nunca foram mostradas ao público, outras foram deslocadas do seu espaço habitual nas galerias.

Almada Negreiros, Pedro Cabrita Reis, Daciano da Costa, Pablo Gargallo, Arshile Gorky, David Annesley, Jean Antoine Hudon, entre outros artistas, estão representados nesta mostra, que ficará patente até 02 de janeiro de 2017.

O diálogo entre o passado e o presente também está na base da exposição “Convidados de Verão”, que percorre as salas da coleção histórica da Gulbenkian, apresentando obras de artistas contemporâneos convidados que surgem subtilmente entre peças antigas egípcias, chinesas e europeias antigas.

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Rui Chafes, Vasco Araújo, Francisco Tropa, Miguel Branco, Miguel Palma, Patrícia Garrido, Pedro Cabral Santo, Susanne Themlitz, Bela Silva, Diogo Pimentão, Wiebke Siem, Yael Bartana e Asta Gröting foram convidados a apresentar peças que ficarão patentes até 03 de outubro.

Este programa inclui ainda um conjunto de intervenções escultóricas de Fernanda Fragateiro, criadas para locais específicos do Jardim Gulbenkian, com nove bancos de cimento a serem revestidos por chapas de aço coladas sobre o assento e laterais, num percurso que vai do edifício sede à zona de piqueniques, passando pelos roseirais, pelo pinhal, em frente do edifício da Coleção Moderna, seguindo as margens do lago.