O ministro das Finanças, Mário Centeno, anunciou, esta quinta-feira, que o Governo decidiu pedir à nova administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD) a abertura de uma auditoria independente à instituição.

“O Governo decidiu pedir a abertura de uma auditoria independente a atos de gestão da CGD, praticados a partir do ano 2000”, avançou Mário Centeno, na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, frisando que o decidiram fazer, “não obstante todos os exercícios que reconhecemos que existiram e que foram eles próprios auditados durante variadíssimos anos pelo FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu, acompanhados com enorme detalhe pelo governo e conduzidos pelo Banco de Portugal”.

Questionado pelos jornalistas, o ministro das Finanças afirmou que “o contributo desta auditoria é, exatamente, demonstrar que não há rigorosamente, antes pelo contrário, nenhuma questão deste Governo com a análise do passado recente e menos recente — desde 2000 –, e que estamos plenamente confiantes naquilo que é a Caixa e com a capacidade de cumprir a sua função. Espero que esta auditoria reforce aquilo que é a análise possível do passado de gestão da CGD”.

À pergunta sobre quem irá realizar a auditoria, Centeno apenas referiu que a auditoria vai ser pedida à nova administração da Caixa e que a seu tempo se saberá quem irá levar a cabo esse exercício.

Mário Centeno lançou ainda críticas às “reações extemporâneas” que “não podem ter outra interpretação que não a de querer interferir no processo” que está em curso.

“A Caixa não pode ser um instrumento partidário e político. A Caixa é uma empresa que funciona num mercado muito competitivo e todos temos de contribuir para garantir que a Caixa é um banco sólido, supervisionado e de certa forma tem todas as condições para operar no mercado perfeitamente estabelecido”, afirmou o governante. “Quando responsáveis políticos e ex-responsáveis políticos e governantes lançam este tipo de discussão para o patamar que foi lançado é evidente que só mostram a sua perturbação e podem ter este impacto negativo que nós não queremos que aconteça. Por isso a auditoria.”

Também esta quinta-feira o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, anunciou que vai pedir à Procuradoria-Geral da República (PGR) um parecer sobre a comissão de inquérito à CGD pedida pelo PSD e pelo CDS-PP.