Arnór Traustason é o nome do islandês que, já lá iam 94 minutos do outro jogo do grupo, marcou o golo que tirou Portugal do caminho da Inglaterra — e, se a ultrapassasse, da Itália, França, Alemanha e Espanha — e o pôs frente à Croácia. Os jogadores sabiam disto nos últimos 10 minutos do 3-3 de quarta-feira, contra a Hungria, e Cédric Soares diz que a equipa optou por controlar “de forma muito inteligente” o jogo. A prioridade era assegurar a passagem aos oitavos-de-final e esse objetivo foi garantido, com muita emoção, muitos nervos e muitos golos.

O golo islandês, que apareceu tarde e a más (boas?) horas, puxou a seleção para o lado da fase a eliminar em que não apanhará, antes da final, algum dos candidatos do costume à vitória no Europeu. Na zona mista do Parc Olympique Lyonnais, o lateral do Southampton, que ainda não jogou na competição, defendeu que “não há adversários fáceis” e que lhe era “indiferente” a equipa que aí vinha.

Estavam à espera deste jogo de doidos?
Sabíamos que ia ser difícil, tínhamos noção disso. Acho que controlámos o jogo, apesar de termos sofrido três golos. Estivemos sempre por cima do adversário, controlámos grande parte da posse de bola também. Fomos a equipa que criou mais oportunidades. Acho que eles chegaram ao golo com alguma ponta de sorte…

Neste caso, a dois golos, não?
Exatamente. Mas o objetivo foi concretizado, que era passar o grupo. Por isso estamos todos de parabéns.

E aqueles últimos 10 minutos, em que Portugal acalma e as equipas deixam de arriscar? Vocês sentiram que tinha de ser mesmo assim?
Percebemos isso. Continuámos a ter o controlo do jogo, mas de uma forma mais inteligente. Por vezes no futebol temos de ser assim. Tínhamos a passagem praticamente garantida, foi uma questão de gerirmos até fase final do jogo. Felizmente conseguimos esta passagem.

Nessa altura, se as coisas acabassem como estavam, iam apanhar a Inglaterra nos oitavos-de-final. Sabiam disso, certo?
Sim, foi-nos comunicado. E, de uma forma muito inteligente da parte dos jogadores, conseguimos controlar até ao final.

Depois a Islândia marcou um golo no último minuto e tudo mudou. Agora é a Croácia.
Exato.

Preferes assim?
Acaba por ser um pouco indiferente. Sabemos que nenhum adversário vai ser fácil. Se na fase de grupos não foi, muito menos o será nesta fase. Tenho a certeza de que vai ser um jogo complicado, mas não temos preferência por nenhum adversário. Vamos encarar o jogo da mesma maneira como os encarámos até agora. O nosso principal objetivo continua a ser o mesmo: vencer, vencer, vencer.

Mas, agora, Portugal acaba por evitar os supostos tubarões: a seleção apenas pode jogar com a Inglaterra, Espanha, Itália, França e Alemanha na final.
Mas é como disse, não há jogos fáceis. Muita gente pensava que a nossa fase de grupos ia ser fácil e chegámos à conclusão que não foi. As equipas mostraram muito trabalho e muito valor. Essa teoria dos tubarões acaba por ser um pouco secundária.