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“O Dia da Independência: Nova Ameaça”

Vinte anos depois de em “O Dia da Independência” a Terra ter sido salva de um ataque maciço de alienígenas pilotando naves absurdamente grandes e com uma propensão para destruir monumentos nacionais e edifícios emblemáticos, caso da Casa Branca, os mesmos extraterrestres, agora sob a liderança da sua rainha, estão de volta em “O Dia da Independência: Nova Ameaça”, onde Roland Emmerich dá mais uma vez largas à sua modalidade de ficção científica mastodôntica, catastrofista, repetitiva e dolorosamente primária. Jeff Goldblum, Brent Spiner e Bill Pullman são três dos atores repescados aos filme original, Will Smith não regressa porque os produtores se recusaram a pagar o dinheiro que ele pedia, e entre as caras novas estão Liam Hemsworth, Charlotte Gainsbourg, Maika Monroe e Sela Ward, esta no papel da primeira mulher presidente dos EUA (como se os autores do filme estivessem a antecipar a vitória de Hillary Clinton nas próximas eleições presidenciais americanas). Não é tão cedo que nos veremos livres da megalomania de Emmerich, porque está na forja um terceiro filme.

“A Academia das Musas”

Não se podia esperar que o espanhol José Luis Guerin, autor de filmes tão anti-convencionais e avessos a classificações fáceis como “Comboio de Sombras”, “En construcción” ou “En la Ciudad de Sylvia”, fosse convencional a fazer uma comédia romântica. É exatamente o que acontece no engenhoso, verboso e enviesado “A Academia de Musas”, sobre um professor da Universidade de Barcelona que se serve do seminário de literatura e poesia que leciona, e da sua consumada lábia académica, para seduzir uma série de alunas, que ele nomeia como suas “musas”. O viés do filme está no facto de Guerin não deixar claro (talvez com um excesso de preciosismo) se estamos a ver uma ficção rés-vés com a realidade, um documentário levemente ficcionado, ou um entremeado de ambos, já que os participantes não são atores profissionais, usam os seus próprios nomes e interpretam-se a si mesmos, ou personagens contíguas a si mesmos. A única inverosimilhança de “A Academia das Musas” é que, no atual clima de histeria politicamente correta que se vive nas universidades, um professor como o do filme seria rapidamente denunciado por assédio sexual, por maior que fosse o seu poder de sedução mediado pela exímia manipulação de conceitos linguísticos e literários.

“À Procura de Dory”

A continuação de “À Procura de Nemo” (2003) passa-se um ano depois dos acontecimentos deste filme. Desta vez, é Dory, o peixe azul fêmea com memória curta, que vai tentar encontrar os pais, de quem se perdeu quando era pequenina, viajando para isso para a costa da Califórnia, acompanhada pelos seus amigos Marlin e Nemo. A Pixar, e os realizadores Andrew Stanton e Angus MacLane, jogam pelo seguro com uma história que repete a linha narrativa e os temas do primeiro filme, mas “À Procura de Dory” compensa essa prudência e a pouca originalidade com a excelência da animação, bom humor, comédia em repuxo contínuo e personagens bem desarrincadas e desopilantes (com destaque para o polvo Hank, que “rouba” o filme a Dory). “À Procura de Dory” foi escolhido como filme da semana pelo Observador, e pode ler a crítica aqui.

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