O ex-presidente da Assembleia Geral da ONU John Ashe, que morreu na quarta-feira, foi vítima de um acidente enquanto fazia exercício e levantava pesos, informaram na quinta-feira fontes oficiais. Ashe, de 61 anos, um diplomata de Antígua e Barbuda que presidiu à Assembleia Geral da ONU entre 2013 e 2014, morreu em Dobbs Ferry, no estado de Nova Iorque, onde vivia.

Inicialmente, os meios de comunicação do seu país indicaram que tinha morrido com um ataque cardíaco, mas fontes da equipa forense que analisou o cadáver informaram o diário Daily News de que morreu por ter caído sobre ele um dos pesos que estava a levantar. O relatório indica que o golpe causou fraturas na cartilagem da laringe e resultou numa asfixia traumática.

A sua morte aconteceu dias antes de comparecer em tribunal no âmbito de um processo, iniciado no ano passado, em que era acusado de receber subornos. O diplomata caribenho, que desde 26 de outubro estava em liberdade sob fiança, estava acusado de dois crimes fiscais, por alegadamente ter recebido mais de um milhão de dólares em subornos de empresários chineses.

Entre os arguidos está o multimilionário da construção de Macau Ng Lap Seng, acusado de estar no centro do escândalo e de pagar subornos a Ashe para que este incentivasse a construção de um centro de conferências da ONU na cidade. Envolvido está também o antigo embaixador adjunto da República Dominicana na ONU, Francis Lorenzo, acusado de estar ao serviço de Ng e gerir os pagamentos a Ashe. No passado dia 16 de março, Lorenzo declarou-se culpado.

Ashe devia comparecer novamente perante um juiz na segunda-feira, para uma audiência em que seria revisto o seu caso.