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A versão mais puxada do Mercedes AMG GT está finalmente disponível. É o R e está perfeitamente à altura das expectativas, pois oferece potência e muito mais. A gama do mais desportivo dos AMG já existia, nas versões GT e GTS, o primeiro com 486 cv, enquanto o segundo oferecia 510 cv aos clientes em busca de mais emoção. Mas a concorrência não perdoa e a procura por cada vez mais potência levou a divisão de desportivos da Mercedes a muscular o GT. Em todos os aspectos: chamando-lhe GT R, baptizando-o de “monstro do inferno verde” – numa alusão ao tortuoso circuito de Nürburgring-Norte, em plena floresta de Eifel –, pintando-o de verde metalizado e convidando Lewis Hamilton, outro monstro, mas desta vez da pilotagem, para o conduzir.

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Exteriormente, o modelo distingue-se ao adoptar uma grelha que faz recordar a utilizada na Carrera Panamericana, disputada no México entre 1950 e 1954 – para comemorar a inauguração da estrada que ligava a costa do Atlântico à do Pacífico –, e que a Mercedes venceu com o 300 SL em 1952. As restantes edições foram ganhas em 1950 por um Oldsmobile, no ano seguinte por um Ferrari 212, a que se seguiu um Lancia D24 em 1953 e, no derradeiro ano, um Ferrari 375.

Mas nem só da grelha vive o AMG GT R. Aerodinamicamente, o carro surge com vias mais largas e com os necessários alargamentos para esconder os pneus de largura superior, sendo igualmente de destacar a asa traseira, agora mais evidente e a proporcionar maior apoio. E para evitar o “lift” da frente, que acontece quando o ar passa sob o para-choques frontal, levantando-a e, com isso, reduzindo a aderência dos pneus anteriores, o GT R está equipado com um lábio inferior móvel, que baixa 4 cm acima de 80 km/h, em modo “Race”, para reduzir o ar que entra sob a carroçaria, como se pode ver no vídeo.

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O motor V8 com 4,0 litros e soprado por dois turbocompressores – um por cada bancada de cilindros – ganhou 65 cv e, com eles, a capacidade de elevar a velocidade máxima de 310 para 318 km/h. Isto enquanto os 0 a 100 km/h caem de 3,8 para 3,6 segundos, sempre face ao GTS de 510 cv. Não é uma evolução para deixar ninguém boquiaberto, mas não deixa de ser importante para quem exigia mais nobreza do AMG GT.

Contudo e apesar do esforço, o novo GT R – que evolui substancialmente sob o ponto de vista estético e de forma muito conseguida – continua uns pontos abaixo dos concorrentes germânicos, que têm no Audi R8 o modelo mais rápido (330 km/h e 0-100 em 3,2 segundos), o motor mais potente (610 cv) e igualmente mais nobre, um V10 atmosférico com 5,2 litros de origem Lamborghini. Até o BMW M6 (601 cv) e o Porsche 911 Turbo (581 cv) surgem mais bem colocados numa análise simples em matéria de coudelaria.

Resta agora saber quando chegará ao nosso país e quanto irá custar a bomba verde da AMG, que obviamente estará também disponível noutras cores mais consensuais.